18/03/2026 - 6:00
Dessa vez não há um consenso no mercado sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciará nesta quarta-feira, 17, a sua decisão sobre a taxa básica de juros. Mesmo assim, a expectativa predominante é de que a Selic terá o primeiro corte em quase dois anos.
O último corte na Selic foi efetuado em maio de 2024, quando a taxa básica caiu de 10,75% para 10,5%. Depois disso, o ciclo só foi de alta dos juros, e desde junho de 2025 a Selic está estacionada em 15%. Veja aqui o histórico.
+ Copom decidirá taxa de juros nesta semana com dois assentos vagos
Na última semana, o mercado financeiro passou a projetar um corte menor na Selic neste mês e no ano, em meio à disparada do petróleo e incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo saltou da casa dos US$ 60 para o patamar de US$ 100.
No último boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 16, a expectativa passou a ser de um corte de 0,25 ponto percentual no Copom de março e não mais de 0,50 ponto, como estava sendo projetado até a semana anterior. Com isso, a Selic cairia dos atuais 15% para 14,75%. Já previsão para a taxa básica ao fim de 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Veja aqui o detalhamento.
Na última reunião do Copom, em janeiro, os diretores sinalizaram que, “em se confirmando o cenário esperado”, a flexibilização da política monetária começaria na reunião seguinte. Ou seja, o BC indicou começar o corte de juros nesta reunião.
No cenário projetado pela MoneYou e Lev Intelligence, por exemplo, a possibilidade é de 40% de corte de 25 bp, 35% de corte de 50 bp e 25% de manutenção. “O cenário de incertezas inflacionárias locais continua dada a questão fiscal e mercado de trabalho apertado que
criam tensão, com o forte adicional do conflito Irã-EUA, elevando o cenário de incertezas e complicando o cenário para as decisões de política monetária, com a inflação reiterando um qualitativo ruim apesar de alguns alívios pontuais em itens importantes”, avalia a casa.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) projeta corte de 0,25 ponto percentual nesta semana e taxa de 12,25% ao0 fim do ano.
“A despeito das incertezas vindas recentemente do cenário externo, as expectativas para o IPCA mostraram queda nos últimos meses e a atividade vem mostrando sinais de desaceleração. Isso abre espaço para um corte inicial dos juros, que tende a ser seguido por reduções graduais ao longo do ano, à medida que esse cenário se confirme”, diz Fernando Honorato, coordenador do grupo consultivo .macroeconômico da Anbima.
Já o economista André Perfeito, da Garantia Capital, avalia que seria mais prudente uma cautela maior do BC em meio os possíveis desdobramentos de uma potencial delação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“Teria que cortar os juros? Teria. O balanço das empresas está implodindo por dentro com a alavancagem? Estão. O crédito está mais difícil? Sim. Era para cortar, mas se eu fosse banqueiro central esperaria e sinalizaria que se “nada demais acontecer” eu cortaria mais na frente”, afirma.
Juros nos EUA
Também nesta quarta, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anuncia a sua decisão de juros. A expectativa é de que os juros sejam mantidos inalterados mais uma vez no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, em meio as pressões de Donald Trump por novos cortes.
