15/08/2018 - 5:55
Sem o reconhecimento do governo nicaraguense, o grupo de trabalho criado pelo Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aguarda para designar integrantes e definir as ações. Criado há 12 dias, o grupo tem a missão de levantar informações e analisar a situação na Nicarágua, em crise há quase quatro meses.
Oficialmente, a OEA quer que o grupo de trabalho contribua para buscar soluções pacíficas e sustentáveis para o governo do presidente Daniel Ortega, em comum acordo com as organizações não governamentais e a Igreja Católica, que iniciou a mediação do diálogo. Há os que defendem a realização de eleições e o fim do governo Ortega.
Participam do grupo de trabalho 12 países: Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colombia, Equador, Estados Unidos, México, Guiana, Mexico, Panamá e Peru. Ainda não há diplomatas designados.
A criação do grupo de trabalho, durante sessão do Conselho Permanente da OEA, gerou discussões acalarodas. A aprovação contou com 20 votos a favor, 4 contra (Bolivia, Nicarágua, San Vicente e Granadinas, além da Venezuela), 8 abstenções (Barbados, Belize, El Salvador, Guatemala, Haiti, San Kitts e Nevis, Suriname, Trinidad e Tobago) e 2 ausências (Dominica e Grenada).
Na sessão, os representantes da Nicarágua e Bolívia acusaram de ingerência na política o Brasil e demais países que apoiaram a criação do grupo.
Reações
Ortega criticou a criação do grupo de trabalho. Segundo ele, é “uma política intervencionista” contra seu governo. “[Esses] governos deveriam primeiro checar suas casas, pois têm tantos problemas, tantos crimes cometidos diariamente nesses países”.
Para o presidente, os Estados Unidos pautam e estabelecem as diretrizes na OEA sobre a crise que ocorre na Nicarágua.
Crise
Os protestos contra Ortega começaram em 18 de abril. Segundo dados de várias organizações, já morreram de 317 a 448 pessoas, incluindo crianças e mulheres. Os números são incertos. O governo confirma 198. A crise na Nicarágua é considerada a mais violenta desde a década de 1980.
Manifestantes iniciaram os protestos em reação à teforma da Previdência, em abril, logo depois o movimento cresceu em reação à repressão política e à violência policial. Ortega nega as acusações. Ele diz que é vítima de ações terroristas.
