A Petrobras poderá perder o grau de investimento pela agência Standard & Poor’s se deixar de divulgar seu balanço dentro do prazo previsto. A agência deverá colocar o rating em revisão independente de sua dívida ter sido acelerada pelos detentores de bônus.

“O perfil de crédito individual (SACP, na sigla em inglês) da empresa para B+, de BB, será atingido se não divulgar o balanço em tempo, o que irá afetar o rating final da companhia”, disse Luciano Gremone, da equipe de análise de empresas da S&P em teleconferência na manhã desta terça-feira, 24.

Segundo ele, os movimentos podem ser independentes da entrada da companhia no período de cura, quando há quebra do compromisso do ‘covenant’, que prevê a divulgação do balanço auditado até 31 de abril. Durante esse período, a empresa tem ainda a chance de divulgar os números auditados e os investidores decidem então, em votação, se irão pedir a aceleração da dívida ou não.

“Se houver rebaixamento do perfil para B ou abaixo disso, o rating final será afetado, portanto, se mover para abaixo do grau de investimento, disse Gremone. Ontem, o rating da companhia foi mantido em BBB-, a apenas um degrau de perder o grau de investimento. A agência também revisou o perfil de crédito individual (SACP, na sigla em inglês) da empresa para B+, de BB.

A Petrobras já perdeu o grau de investimento pela Moody’s e o corte por uma segunda agência obrigará alguns fundos, que apenas podem manter em carteira papéis que sejam grau de investimento por duas agências, a desovarem suas posições. Parte desses fundos já se antecipou, mas ainda existe um novo fluxo potencial de vendas de bônus da Petrobras se a companhia perder o grau de investimento por uma segunda agência.

Default

Gremone afirmou também que o rating da Petrobras não deve ser movido para a categoria D, que significa default, caso haja um evento de aceleração da dívida da companhia. “O default é para nós um evento de não pagamento, o fato de receber uma notificação ou haver aceleração da dívida em si não caracteriza um default”, acrescentou. Segundo ele, os ratings potencialmente só vão para default (D) se não houver pagamento dos compromissos.