Sem confiar na CBF, a Fifa mudou o acordo para o financiamento de  centros de treinamento que seriam construídos pelo Brasil a partir das  receitas da Copa do Mundo de 2014 e decidiu assumir as obras dos  projetos, inclusive a contratação de fornecedores.

No  Mundial, a Fifa anunciou um fundo com US$ 100 milhões (aproximadamente  R$ 400 milhões) para iniciativas no País. O dinheiro seria parte do  legado que a Copa deixaria ao Brasil. Mas, quase dois anos depois,  apenas US$ 8 milhões (R$ 32 milhões) foram liberados e só um projeto, no  Pará, foram concluídos. Diante do indiciamento de Marco Polo Del Nero  na Justiça norte-americana, da prisão de José Maria Marin e da  indefinição sobre quem seria o presidente da CBF, todos os recursos  foram congelados.

Nesta quarta-feira, o presidente interino  da CBF, coronel Antônio Nunes, esteve pela primeira vez na sede da  Fifa, ao lado de Fernando Sarney, seu vice. Os brasileiros pressionaram a  entidade máxima do futebol para que volte a liberar os recursos,  alegando que a entidade estava sendo cobrada por federações estaduais.  Na divisão das sedes da Copa, ficou estabelecido que os estados que não  recebessem jogos ganhariam acesso aos projetos da Fifa.

Para  desbloquear as obras, ficou estabelecido que a Fifa não iria repassar o  dinheiro ao Brasil. Mas faria a licitação para cada um dos projetos com  empresas internacionais que concretizariam as obras. Assim, nenhum  centavo passaria nem pela CBF e nem pelas entidades estaduais.

Outro  obstáculo se refere aos terrenos usados. No acordo original, foi  estabelecido que terrenos teriam de ser comprados para as obras. Mas,  temendo desvio de recursos ou concessões por anos limitados, a Fifa  agora quer que os projetos sejam desenvolvidos em terrenos cedidos pelo  poder público. Em alguns dos estados, essa já era a ideia e o processo  poderá ser retomado. Mas, em diversos outros locais, os terrenos  avaliados eram propriedades privadas.

Pelo mundo, a Fifa  vem sendo alvo de escândalos no financiamento de projetos que ocorriam  em terrenos que dirigentes locais vendiam para a própria entidade por  valores inflados. Assim, os cartolas locais lucravam com recursos que  deveriam ser destinados para o desenvolvimento social.