13/02/2023 - 14:16
O julgamento do ex-secretário de Segurança Pública do México Genaro García Luna foi retomado nesta segunda-feira (13) em Nova York, após uma decisão inesperada da Procuradoria de encerrar a oitiva de testemunhas e a possibilidade de o interessado depor para se defender das cinco acusações de tráfico de drogas e falsificação de documentação que o levaram ao tribunal.
A Procuradoria americana planeja apresentar nesta segunda-feira como testemunha Jesús “Rey” Zambada, ex-membro do cartel de Sinaloa, que no julgamento de Joaquín “Chapo” Guzmán em 2018 disse que entregou entre seis e oito milhões de dólares a García Luna em subornos entre 2005 e 2007.
A defesa, por sua vez, sugeriu na quarta-feira passada a possibilidade de que ex-diretor da Agência Federal de Investigações (AFI) entre 2001 e 2005 e secretário de Segurança Pública de 2006 a 2012 deponha para se defender.
Na semana passada, a equipe de defensoria pública, liderada pelo defensor César de Castro, apresentou um pedido ao juiz de instrução Brian Cogan para impedir que o governo aborde certos assuntos durante seu interrogatório.
O juiz respondeu que tudo o que o tribunal pode dizer é que “a indagação permissível no interrogatório para demonstrar parcialidade ou questionar a credibilidade pode ser mais ampla do que o alcance das evidências permitidas pelo Tribunal para provar os crimes imputados”.
O tribunal não permitirá provas de bens posteriores a 2012, que não tenham relação com as acusações, destinadas a demonstrar a suposta fortuna do arquiteto da luta contra o narcotráfico durante o mandato de seis anos do presidente Felipe Calderón (2006-2012).
Estima-se que o réu teria recebido nada menos que “230 milhões de dólares” em propinas do tráfico de drogas, segundo cálculo baseado em dados fornecidos por testemunhas.
A Promotoria de Nova York acusa García Luna de cinco crimes, quatro relacionados a drogas e outro de falsificação de documentos. Ele é o oficial mexicano de mais alto escalão a se sentar no banco dos réus nos tribunais dos EUA.
Teria ajudado o cartel de Sinaloa e seu chefe, Joaquín “Chapo” Guzmán (condenado à prisão perpétua pela Justiça americana), a introduzir 53 toneladas de cocaína nos Estados Unidos.
Ao longo das três semanas de julgamento, as 25 testemunhas de acusação apresentadas pela Promotoria revelaram a penetração do tráfico de drogas em instâncias destinadas a combatê-lo, como as forças de segurança, e o conluio com autoridades nacionais e locais, além de alfândegas nos portos e aeroportos.
