O Senado dos Estados Unidos ratificou nesta quarta-feira o tratado START com a Rússia, dando ao presidente Barack Obama uma vitória diplomática e política após uma batalha que durou meses.

O Senado aprovou por 71 votos contra 26 o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (em inglês, START), superando a maioria de dois terços necessária para confirmar o pacto.

O tratado START limita os arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia a 1.550 ogivas cada um, um corte de cerca de 30% em relação ao limite fixado em 2002, e a 800 vetores (mísseis de longo alcance e bombardeiros estratégicos).

O acordo, que ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento russo, prevê a retomada das inspeções mútuas de instalações nucleares, que foram suspensas quando o tratado precedente expirou, em dezembro de 2009.

A Rússia saudou a ratificação do tratado, mas estimou que Moscou “precisa de tempo” para analisar os documentos americanos antes de fazer o mesmo.

“Saudamos a aprovação do tratado por parte do Senado americano”, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Sergueï Lavrov, à agência Interfax.

Obama, o vice-presidente Joe Biden e altos comandantes militares dos EUA fizeram um grande esforço no Congresso para aprovar o tratado, obtendo a adesão de vários republicanos.

“Estou confiante de que a segurança da nossa nação, e também do mundo, será reforçada através da ratificação deste tratado”, afirmou o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, John Kerry.

Kerry e o líder dos Republicanos no Comitê, senador Richard Lugar, conduziram o acordo através de um debate difícil e até mesmo amargo, baseados nos argumentos da Casa Branca de que o pacto ajudará nos esforços para enfrentar o Irã e a Coreia do Norte.

O acordo “não é simplesmente para enfrentar os perigos remanescentes da era nuclear. É um acordo que nos dará uma ferramenta crucial para combater as ameaças de uma nova era nuclear”, afirmou Kerry momentos antes da votação.

Antes de aprovar o tratado, os parlamentares fizeram emendas para comprometer Washington a implementar um sistema de defesa antimísseis, modernizar seu arsenal nuclear e buscar novas negociações com a Rússia para a contenção de armas nucleares táticas.

Esta foi a segunda vitória de Obama no Congresso hoje, após a queda da lei que proibia homossexuais declarados nas Forças Armadas dos EUA.

O fim da lei “Don’t Ask, Don’t Tell” (Não pergunte, não diga) – que proibia os militares gays de revelar sua opção sexual, sob pena de baixa – era uma meta desejada pelos liberais, embora os conservadores tenham se engajado em uma dura campanha para mantê-la ativa.

“Não somos um país que diz ‘Não pergunte, não diga’. Somos um país que diz ‘Entre muitos, somos um'”, destacou Obama, durante cerimônia marcada pela euforia no departamento do Interior, em Washington.

“Somos o país que saúda o serviço de todo patriota”, acrescentou Obama.

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