O empresário argentino Francisco Macri dedicou-se na semana passada ao seu esporte preferido: voltar atrás nas promessas que freqüentemente anuncia com estardalhaço. Em janeiro de 2002, ele deixou indignados seus conterrâneos ao anunciar, em entrevista exclusiva à DINHEIRO, que deixaria a Argentina e concentraria todos os negócios no Brasil. A crise econômica havia inviabilizado a permanência por lá. Na semana passada, Macri deu uma volta de 180 graus em seus planos. Em entrevista ao jornal La Nación, de Buenos Aires, o industrial respondeu com um ?sim? à pergunta se iria sair de vez do Brasil. E qual seria o destino? Pasmem: a Argentina. Aos 73 anos, Macri disse que se aposenta em um ano e vai se desfazer de 15 companhias na Argentina e todas as sete que possui no Brasil. Detalhe: revelou que nenhum dos filhos iria ganhar as empresas de mão beijada. ?Se algum deles quiser ficar com uma das empresas, pode comprar?, afirmou, confirmando outra vez sua fraqueza por frases de efeito.

Como confusão pouca é bobagem, nos dias seguintes surgiram
outras versões. Um de seus filhos, Mariano, afirmou à DINHEIRO que nem todas as empresas no Brasil seriam vendidas. ?Uma das alternativas seria eu ficar com os negócios que não forem vendi-
dos no Brasil e meu irmão, Gianfranco, com os da Argentina.?
Então o grupo ficaria dividido entre os dois países? ?Sim, mas é preciso colocar a casa em ordem?, diz o herdeiro.

?Colocar a casa em ordem? significa o saneamento das finanças. De acordo com Mariano, o endividamento já foi de US$ 500 milhões. Hoje encontra-se em US$ 125 milhões. Estima-se que a venda das empresas resulte em R$ 500 milhões. Assim, o grupo pagaria seus débitos. A idéia do clã é pôr à venda o frigorífico Chapecó, a Adria Alimentos e a concessionária paulista Rodovia das Colinas. As quatro empresas restantes permaneceriam sob comando dos Macri. ?Eu gostaria de ficar com a Qualix, de projetos ambientais, e com a Rodovia das Cataratas, no Paraná?, diz Mariano. Se isso se confirmar, o faturamento do grupo no País cairá de R$ 700 milhões para R$ 420 milhões. Mariano vive no Brasil há dois anos. E garante que não pretende deixar o País. ?Já trouxe toda minha família para cá?, conta.

Na Argentina, as indefinições também são grandes. Ninguém sabe se o empresário passará adiante os Correios. ?O Gianfranco, meu irmão, quer ficar com os Correios. Não creio que vamos nos desfazer desse ativo?, diz Mariano. ?Faremos uma redistribuição de ações na família, e o objetivo é preservar os Correios e as companhias de construção civil e infra-estrutura.? Tudo isso, claro, pode mudar de acordo com os humores do patriarca ? o que pode acontecer quando ele decidir falar novamente com a imprensa.