Depois que a seringa de plástico substituiu o modelo de vidro, na década de 60, parecia que a possibilidade de evolução desse produto havia se esgotado. Contudo, o crescimento dos casos de contaminação, devido a picadas acidentais, e os problemas gerados pela reutilização fizeram com que os fabricantes buscassem formas de tornar a seringa mais segura. No Brasil, quem saiu na frente foi a subsidiária da americana Becton Dickinson (BD), líder mundial do setor. Após 18 meses de pesquisas e um investimento de R$ 38 milhões, a empresa está colocando no mercado a primeira seringa com dispositivos de segurança desenvolvida por aqui. A SoloMed funciona assim: uma capa de plástico colada ao corpo da seringa isola a agulha, evitando picadas acidentais. Além disso, o êmbolo (que conduz o líquido através da agulha) se quebra após a aplicação, impedindo a reutilização. Um feito e tanto que credencia a filial a atuar como plataforma de exportação para outras nações emergentes, entre as quais África do Sul, Índia e Paquistão, onde a proteção, às vezes, é colocada em segundo plano em função do valor cobrado por produtos sofisticados. É aí que a subsidiária leva uma grande vantagem sobre as concorrentes. Seu produto custa US$ 0,25 contra até
US$ 2 de uma similar americana.

Anualmente, são registrados 22 milhões de casos de hepatite e 260 mil contaminações por vírus HIV, com o reuso de seringas. ?É um problema gravíssimo do ponto de vista de saúde pública e que compromete também a economia dos países?, argumenta Geraldo Barbosa, presidente da Becton Dickinson para o Brasil e a América do Sul. Segundo ele, o tratamento de uma pessoa infectada com hepatite custa R$ 3 mil/mês. Em 2004, o faturamento da Becton Dickinson (que também produz catéteres e tubos para coleta de exame de sangue) somou R$ 326 milhões. Do total, as seringas respondem por uma fatia de 25%. ?A SoloMed terá um impacto de 15% nas vendas desse segmento já no primeiro ano?, estima o executivo. Mas não são apenas os clientes estrangeiros que estão na mira de Barbosa. Ele aposta na mudança da legislação brasileira, tornando obrigatório o uso de equipamentos com dispositivo de segurança.

R$ 38 milhões foram gastos no desenvolvimento da nova seringa