13/03/2002 - 7:00
Desde que a BP (antiga British Petroleum), uma das três maiores companhias de petróleo de planeta, desembarcou na Vila de Santa Maria, no ano passado, os moradores do pequeno vilarejo cearense iniciaram uma ávida corrida por óculos de grau. A explicação para o fenômeno foi a chegada do primeiro aparelho de televisão na localidade, distante 300 quilômetros de Fortaleza. Até então, os moradores jamais tinham se dado conta de que não enxergavam bem. A procura pelos óculos é apenas uma das muitas transformações que estão ocorrendo em Santa Maria, por conta do projeto de energia solar da BP. As mudanças acontecem também na economia do vilarejo. Os lampiões a querosene foram aposentados e o moinho de trigo começa a aumentar a produção de farinha por conta da luz.
Na mesma situação dos 400 moradores da vila cearense existem outros 25 milhões de brasileiros, que não têm acesso à energia elétrica. Tais números fazem do Brasil um mercado promissor para empresas que exploram fontes alternativas de energia. O País está atraindo a atenção de gigantes do setor do mundo inteiro. ?É um mercado milionário?, calcula Dino Antunes, engenheiro da Siemens Solar. A empresa está dando novo impulso nos negócios. Nos últimos dois anos aumentou em 40% seu faturamento na divisão solar.
Há muito espaço para crescer e não só com o abastecimento de residências. A exploração comercial é outro grande filão. É o caso do fornecimento de energia para indústrias que estão fora da rede elétrica. Esse segmento é liderado pelas empresas de telecomunicações, que necessitam de fonte de energia para suas antenas transmissoras e outros equipamentos de telefonia instalados em locais remotos. Outro pote de ouro é a venda de equipamentos para propriedades rurais. Pelo menos dois milhões de estabelecimentos rurais ainda estão distantes da rede elétrica e necessitam de fontes alternativas para garantir luz.
O único problema desta fonte alternativa é o custo. Além dos painéis de vidro que captam os raios do sol e os transformam em energia, o sistema necessita de uma bateria para armazenar a energia. Esse equipamento é caro. Por isso, de uma forma geral, a energia produzida pelas hidrelétricas e termelétricas sai mais em conta. Mas o cálculo só é válido quando os consumidores estão em áreas urbanas e próximas das redes de transmissão. Quando a distância aumenta, fontes alternativas tornam-se viáveis. Uma distância maior que cinco quilômetros da rede elétrica faz da energia solar uma alternativa competitiva, apontam estudos do Banco Mundial (Bird).