Por conta de uma economia mais volátil, a predileção das companhias brasileiras por alugar notebooks e equipamentos de TI tem aumentado. É o que diz o CEO da Simpress, Vittorio Danesi.

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Na visão do executivo, por conta dos juros altos e de uma inflação que pressiona os preços dos equipamentos, as companhias tem mais segurança em alugar os equipamentos e trocar Capex (investimento da empresa em bens duráveis, geralmente de cifras maiores) por Opex (gastos recorrentes necessários para manter uma empresa funcionando).

“Quando a gente pensa em outsourcing de infraestrutura de equipamentos de TI, o Brasil é definitivamente um país que tem liderado a transformação da metodologia de aquisição das empresas. No mercado externo ainda tem uma cultura de Capex maior, talvez até por conta de uma taxa de juros menor. Mas aqui no Brasil a gente tem vários componentes que jogam a favor do outsourcing, por que temos uma economia de altos e baixos”, conta, em participação no Dinheiro Entrevista.

Danesi considera que, no caso dos notebooks, ainda é um ‘oceano azul’, ao passo que aluguel de impressoras e outros equipamentos já é uma prática consolidada no ambiente corporativo.

No caso das impressoras, entre 85% a 90% desses equipamentos no universo corporativo brasileiro são alugados, segundo os dados da empresa – no caso dos notebooks, são apenas 15%.

A visão é de que esses 15% devem subir gradualmente ao longo dos próximos anos por conta das vantagens financeiras em trocar Capex por Opex, mas também pelo que a gestão vê como ‘efeitos indiretos’, como otimização de tempo dos times de TI, que poderão alocar seu tempo em tarefas que gerem valor para a companhia, em detrimento de manutenção de máquinas e atividade análogas.

Novo braço de negócio

Ainda em outubro, a companhia lançou uma linha de negócio voltada para o varejo: um e-commerce próprio com os produtos que já aluga e que foram dispensados por clientes corporativos em trocas.

Em suma, a empresa venderá os produtos que foram dispensados em renovações de frota de empresas que contratam o serviço de aluguel – incluindo celulares, notebooks e tablets.

Os produtos da Simpress Shop serão remanufaturados pela companhia em uma fábrica em Santana de Parnaíba (SP), após isso, integrarão a prateleira da loja – os preços começam em R$ 1,2 mil no caso dos notebooks e em R$ 149 no caso dos smartphones.

Na média, os preços devem ser de 30% a 60% mais baixos do que uma versão nova dos mesmos aparelhos, segundo a gestão.

Como a companhia tem a HP como principal acionista, os notebooks serão exclusivamente da marca. Celulares serão de marcas como Apple e Samsung.

A expectativa é de que o novo negócio tenha uma margem saudável e fature algo entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões em seu primeiro ano de operação.

Simpress mira R$ 2 bilhões de faturamento

O modelo de negócio garante receita recorrente à Simpress, subsidiária da HP, que faturou R$ 1,7 bilhão no acumulado de 2024. Para este ano, a empresa espera beirar os R$ 2 bilhões de receita.

O CEO relata que a inflação é sem dúvidas um ‘fator muito negativo’, mas aponta que não tem sido uma pedra no sapato da companhia, que por sua vez, implementa reajustes anuais nos preços.

A Simpress mais do que dobrou sua receita nos últimos quatro anos e, atualmente, soma uma carteira com mais de 3 mil clientes corporativos, incluindo 60 das 100 maiores empresas do país – contemplando nomes como Alcoa, Cobasi, Yamaha, Mackenzie, Polenghi, Hermes Pardini, Harald e Havan.