O dedo do magnata da mídia Rupert Murdoch começa a aparecer no Brasil. Há dois meses, desde que sua holding News Corp. assumiu a administração da Sky, ele vem sacudindo a maior operadora de tevê por assinatura do País e uma das únicas empresas de tevê por assinatura nacional com situação financeira estável. Para começar o trabalho, a holding indicou o diretor-financeiro da Sky, Ricardo Miranda, para presidir a companhia. E impôs o desafio: chegar a 1 milhão de assinantes no próximo ano. Hoje, eles são cerca de 700 mil. ?Não preciso comprar assinantes com guerra de preços, podemos conquistá-los com a valorização do produto?, afirma Miranda, cutucando a concorrência. Explica-se: Miranda tem nas mãos duas armas importantes para atrair e manter clientes. A primeira é a tecnologia digital. A transmissão é feita diretamente de um satélite para a casa do assinante, o que permite gerar programas interativos. Um exemplo? Um jogo de futebol em que o telespectador escolhe a câmera com o melhor ângulo para assistir. A programação é outro forte da companhia. Eles contam com o conteúdo das Organizações Globo e da Fox, também de Murdoch. ?Estamos em negociação com a Fox para trazer programação inédita para os nossos canais?, adianta o executivo.

 

Desde 1996, o comando da Sky estava nas mãos das Organizações Globo, acionista majoritária, que tem News Corp. e Liberty como sócios. Mas, há alguns meses, os Marinho anunciaram sua intenção de dar mais atenção para a produção de conteúdo, em detrimento das operações de tevê paga. Daí, a decisão de passar o comando gerencial da Sky para o sócio. Por enquanto, ainda não revelam o acordo em torno da participação acionária e um aumento da cota para o grupo de Murdoch, que já é dono da maior operação mundial deste tipo, a européia BSkyB. De qualquer maneira, as mudanças já podem ser sentidas. Na área de programação, os assinantes começam a perceber a diferença. Depois da venda do pacote pay-per-view do programa Big Brother, a operadora resolveu testar a venda também de programas transmitidos no canal aberto da Globo, como as séries Os Normais, Sítio do Pica-pau Amarelo e A Muralha. A recepção dos assinantes, garante Miranda, tem sido muito boa. Além disso, uma nova diretoria foi criada para melhorar o relacionamento com os clientes.

A Sky se movimenta rápido, em um mercado que luta para se tornar lucrativo. Além de pressionados pelos altos custos de programação, que é toda orçada em dólar, e pela necessidade de constantes investimentos em rede, especialmente para os operadores via cabo, os concorrentes amargam três anos de dificuldades. Se teve algum crescimento neste setor, ele foi puxado pela Sky. ?Somos responsáveis por 50% do aumento da base de clientes nacional. Mas, para ser lucrativo, ainda temos muito a crescer?, diz o executivo. O único exemplo a seguir é o da televisão inglesa, cuja tevê a cabo já é lucrativa.

No exterior, a política de expansão da News Corp. é a da aquisição. Eles acabam de comprar a Telepiu, operadora de cabo italiana, para atingir os 2 milhões de assinantes naquele país. No Brasil, Miranda acredita que esse recurso ainda não é necessário. ?Há muito espaço para ganhar dentro do público A e B?, garante. Pelo menos, enquanto a tevê digital não der as caras.