Está aceso o sinal amarelo na bolsa. Não é um crash, pelo menos até agora. Mas a seqüência de quedas iniciada no dia 9 de maio tornou negativo, na terça-feira 13, o saldo acumulado no ano pelo Ibovespa. Isso significa que o principal índice da bolsa paulista baixou na semana passada a um patamar inferior aos 33.455 pontos em que fechou 2005. Zeraram-se, assim, os ganhos acumulados pelo investidor de janeiro até agora. O motivo das baixas é o mesmo desde o início da crise: o medo de que a alta da inflação nos Estados Unidos jogue os juros nas alturas provocou uma debandada de investidores dos mercados emergentes.

No último mês, R$ 2,6 bilhões em recursos estrangeiros deixaram a Bovespa. Somente no último mês, mais de R$ 2,6 bilhões em recursos estrangeiros deixaram a Bovespa.

Como acontece diante de qualquer sinal amarelo, é natural que o investidor hesite entre parar (deixando sua carteira inalterada até que o cenário fique mais claro) e acelerar (aproveitando a oferta de ações baratas para reforçar sua posição na bolsa). Só não vale ? e nesse ponto todos os analistas concordam ? dar marcha à ré, sacando agora o dinheiro aplicado em ações. Isso significaria levar para casa o prejuízo acumulado no último mês, eliminando as chances de recuperação. Que são concretas. ?Feitos os ajustes de portfólio e encerrado o ciclo de elevação do juro americano, a perspectiva mais provável é de diluição do nervosismo nos mercados e retomada dos negócios?, afirma a Fator Administração de Recursos em seu último relatório.

Se é assim, quem demonstrar sangue-frio para correr na contramão dos estrangeiros e garimpar papéis baratos no pregão terá boa chance de turbinar sua carteira de ações agora e colher os lucros no futuro. ?O atual patamar de preços dos mercados favorece a formação de novas posições com horizonte temporal de médio e longo prazo?, confirma Julio Martins, da Prosper Corretora, no boletim divulgado a seus clientes na terça-feira.

Apesar do relativo otimismo, uma corrente de analistas prevê que o Ibovespa cairá mais, até o patamar de 28 mil pontos, antes de voltar a subir. E estima que o retorno ao patamar recorde de 41.979 pontos, atingido em 9 de maio, pode levar mais de um ano. Chamados de grafistas, eles ignoram os fundamentos econômicos e dedicam-se a interpretar gráficos estatísticos dos mercados. ?Se você olhar as bolsas americanas desse modo, verá que o atual ciclo de alta já dura quatro anos e não se pode dizer que ele tenha acabado?, diz Fernando Goes, da Ágora Senior. ?No cenário mais positivo, a retomada vem já no fim do ano?, prevê Goes. ?Mas não dá para garantir que será assim.?