07/04/2016 - 12:22
Quase 250 funcionários de uma fábrica de cimento estão desaparecidos desde segunda-feira e as autoridades temem que tenham sido sequestrados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) em Dmeir, 40 km ao nordeste de Damasco.
Apesar da ofensiva dos extremistas em Dmeir, o governo prepara o retorno dos primeiros deslocados de Palmira, que poderão retornar para casa depois que as tropas do regime reconquistaram a cidade em 27 de março.
O EI atacou a fábrica de cimento na segunda-feira e sequestrou 250 funcionários.
“Não conseguimos contactar nossos parentes desde meio-dia de segunda-feira, depois que o EI atacou a fábrica”, disse um morador de Dmeir.
“Não temos informação sobre onde estão”, completou.
O administrador da fábrica confirmou que os funcionários estão desaparecidos.
A localidade está dividida entre as zonas controladas pelo Ei, ao leste, e as posições rebeldes ao oeste, mas o aeroporto militar e as centrais de energia elétrica permanecem sob poder do governo.
“Os confrontos mais violentos estão acontecendo perto do aeroporto e das centrais elétricas, mas o EI ainda não conseguiu entrar”, disse Rami Abdel Rahman, diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Desde domingo, o EI conquistou cinco posições do governo na região, incluindo dois postos de controle.
Uma moradora de Dmeir que pediu para não ser identificada disse à AFP que era possível ouvir os bombardeios nas proximidades da cidade.
A mulher disse que a situação nos bairros da zona leste era “muito tensa”, sem energia elétrica ou água.
Ao mesmo tempo, o governo organiza os primeiros retornos a Palmira.
“O primeiro grupo de ônibus com residentes que voltarão a Palmira deve sair no sábado. Os moradores começaram o registro hoje”, disse à AFP uma fonte do governo provincial.
A maior parte da população que morava em Palmira antes da cidade ser capturada pelo EI fugiu quando o grupo chegou à região.
As estimativas são de que 70.000 pessoas viviam em Palmira antes da chegada do EI e que 15.000 permaneceram, mas as autoridades desconhecem o paradeiro de vários moradores.
De acordo com o governo, 45% dos bairros foram destruídos.
Esta semana, as autoridades começaram a restabelecer a rede de energia elétrica e a reconstruir as casas, segundo o governador provincial, Talal Barazi.
Durante o período de ocupação, o EI destruiu muitos monumentos, incluindo o templo de Bel.
Os extremistas usaram o antigo anfiteatro como palco para as execuções públicas.
No campo diplomático, o secretário de Estado americano, John Kerry, pressionou o Irã, um aliado importante de Damasco, para que ajude a comunidade internacional a encerra a guerra na Síria.
O conflito deixou desde 2011 mais 270.000 mortos, obrigando mais da metade da população a fugir de suas casas.