16/03/2026 - 7:00
O Brasil passou nos últimos meses por uma onda relevante de entrada de capital estrangeiro na bolsa. Em 2026 até o dia 11 de março, foram R$ 43,841 bilhões trazidos para a B3. Some a isso a perspectiva de redução de juros, e temos um cenário que trouxe a renda variável de volta para o radar dos investidores brasileiros.
Com sucessivos recordes batidos nos últimos meses, o Ibovespa B3 chama a atenção. Mas outro índice – e outro perfil de ação – ainda não aparece nos holofotes: as small caps, empresas listadas com menor valor de mercado. Essas ações ainda não acompanharam toda a valorização das empresas que compõem o Ibovespa. Segundo análise do Market Makers, o nível de desconto das small caps em relação ao Ibovespa é o mais elevado dos últimos 17 anos.
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Para alguns analistas, isso é sinal de oportunidade – mas há riscos que precisam ser considerados antes de tomar a decisão de investir ou não nessas empresas. O Bora Investir conversou com especialistas para entender se este é, de fato, um bom momento para esse segmento da bolsa.
Small caps estão baratas na bolsa? Entenda o desconto em relação ao Ibovespa
Com a Selic em patamares historicamente elevados e os juros reais nas máximas, os últimos anos foram de turbulência para as ações de empresas de menor valor de mercado. Com menos acesso a diferentes fontes de financiamento e uma exposição maior à economia doméstica, essas são as empresas que tendem a ser mais afetadas quando o ambiente macroeconômico se torna desfavorável para ativos de risco.
Em diferentes métricas de valuation (formas de estimar o valor de uma empresa), essas ações se distanciaram ainda mais das chamadas blue chips, aquelas companhias mais consolidadas, muitas vezes líderes em seus segmentos.
Para analistas, no entanto, boa parte desse movimento esteve ligado justamente ao cenário macroeconômico – e não necessariamente a uma piora estrutural nos fundamentos das empresas.
“De forma geral, quando olhamos para métricas de valuation, como múltiplos, o índice de small caps negocia com um desconto relevante em relação às empresas maiores da bolsa”, afirma Gustavo Harada, head de alocação da Blackbird Investimentos. “Esse movimento não é necessariamente reflexo apenas de fundamentos mais fracos, mas também de fatores macroeconômicos”, acrescenta.
Parte da explicação está no cenário macroeconômico. Nos últimos anos, o ambiente de juros elevados reduziu o apetite ao risco e favoreceu, comparativamente, empresas maiores, mais líquidas e com geração de caixa mais previsível.
Outro fator é o fluxo de capital estrangeiro. De acordo com Danilo Coelho, economista especialista em investimentos, quando investidores estrangeiros começam a montar posições no Brasil, costumam se concentrar primeiro nas maiores empresas da bolsa – levando a uma valorização concentrada nas blue chips.
“Quando o investidor estrangeiro entra no Brasil, ele tende a alocar primeiro em juros e depois nas grandes empresas da bolsa. Só depois esse fluxo começa a chegar nas empresas menores”, explica. “[O investimento em small caps] é como se fosse uma segunda derivada da entrada do fluxo gringo aqui no Brasil”, diz Coelho.
Diferença entre small caps e blue chips: o que são essas empresas da bolsa
As empresas listadas na bolsa costumam ser classificadas de acordo com seu valor de mercado e a liquidez de suas ações. As chamadas blue chips são as companhias de maior capitalização de mercado e, em geral, líderes em seus setores. Elas tendem a ter maior liquidez na bolsa, geração de caixa mais previsível e, em muitos casos, distribuição mais regular de dividendos.
“As chamadas blue chips são empresas com maior capitalização de mercado, líderes em seus setores, com maior previsibilidade de geração de caixa, margens consistentes e maior liquidez na bolsa”, afirma Gustavo Silva, sócio-fundador da Private Investimentos.
Já as small caps são empresas menores em valor de mercado e com menor liquidez. Por outro lado, costumam ser vistas como companhias com maior potencial de crescimento. “Elas são empresas de menor capitalização e liquidez, com maior risco e volatilidade, mas também com maior potencial de crescimento e valorização”, diz Silva.
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