Se a mulher deste início de século tivesse um ?Querido diário?, ele teria de abrigar a aula de ginástica, a briga com a chefe, as lições da pós-graduação, o conserto do carro, as melhores lojas de sapato, a cerveja no bar, a lição de casa do filho, o carinho no marido e as fofocas das amigas, porque, afinal de contas, ninguém é de ferro. Como não têm tempo para colocar no papel seu cotidiano, cada vez mais as mulheres preferem usar a internet para facilitar suas tarefas. Dados divulgados pelo instituto de pesquisa Ibope/NetRatings indicam que do total de 13,6 milhões de brasileiros com acesso à internet residencial em agosto, 48,2% eram mulheres. O percentual atual faz do País o terceiro no ranking dos que mais atraem usuárias à rede, atrás apenas dos EUA (com 52,6%) e da Austrália (com 49,6%).

 

Um cenário e tanto para os empreendedores digitais que, de um tempo para cá, multiplicaram a oferta de produtos femininos. Para sustentar os negócios, publicidade online, planos de assinatura pelo conteúdo e venda do material produzido para outras mídias. ?As mulheres precisam de ferramentas que facilitem sua vida?, diz Patrícia Lemos, diretora comercial da Hi-Midia, empresa de representação comercial de sites verticais. ?Elas têm de estar maravilhosas mesmo depois de um dia pesado de trabalho e de fazer o jantar para a família.? Não há um estudo que revele quantos portais do gênero existem no Brasil, mas, segundo Patrícia, dos 250 sites hoje representados pela Hi-Midia, pelo menos 20% têm conteúdo feminino. ?Existe uma grande demanda de anunciantes por endereços específicos?, afirma Marcelo Almeida, diretor da empresa de investimentos Ideias Venture, do grupo IdeiasNet. ?São cerca de 450 produtos e marcas focados no setor.?

 

De olho nesse potencial, a IdeiasNet lançou, em 2000, o site Bolsa de Mulher. Hoje são 700 mil usuárias e a expectativa ambiciosa é chegar ao fim de 2007 com 3,5 milhões de mulheres acessando o site. Para atingir o número, o endereço investe em conteúdo que vai desde moda até saúde e aposta no conceito de comunidade feminina. A usuária pode abrir sua própria página com fotos, perfil e discutir assuntos do dia-a-dia. ?Com base nisso, é possível mostrar ao anunciante de forma objetiva onde investir?, diz Andiara Petterle, diretora do Bolsa de Mulher. O discurso da qualificação se repete nos outros portais. ?A mulher é mais madura no uso da internet?, afirma Patrícia, da Hi-Midia. ?É mais fácil vender para elas.? Não à toa, empresas como Unilever, HSBC e Gafisa colocam boa parte de sua receita publicitária nesses portais. Outro site que está ganhando com a guinada feminina é o Feminice. Depois de um investimento de R$ 1 milhão, o endereço planeja faturar R$ 7 milhões em 2007. Além dos assuntos femininos, tópicos como manutenção de carro dão o tom da conversa com a mulher moderna. ?Não podemos mais usar a linguagem da dona-de-casa?, diz Rodrigo Tigre, o homem por trás do Feminice. Apenas para dar um parâmetro, nos EUA o conglomerado de mídia NBC pagou US$ 600 milhões pelo provedor iVillage, de conteúdo feminino. A internet, pelo jeito, está ficando mais cor-de-rosa.