O presidente iraniano, Hassan Rouhani, convocou “a unidade da nação” frente aos “inimigos” do Irã, durante uma cerimônia religiosa bastante tensa, nesta quarta-feira, em Teerã, na qual foi interrompido várias vezes.

Manifestando-se por ocasião do 26º aniversário da morte do imã Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, Rouhani enfrenta um grupo de conservadores que denunciam a tentativa do governo de se aproximar de inimigos históricos do país, como os Estados Unidos.

“Precisamos de unidade e coesão”, afirmou Rohani, que também citou o imã Khomeini, falecido em 4 de junho de 1989, após “reinar” por uma década no país.

“Os inimigos querem criar a discórdia entre os grupos étnicos e as religiões (…) O primeiro passo é estarmos unidos no país”, completou, defendendo também “uma voz única, apesar das diferenças de opinião, ou dos diferentes partidos, por nosso interesse nacional e para preservar o regime”.

Há dois anos, o Irã e o grupo P5+1 (formado por Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) negociam para limitar as ambições nucleares iranianas em troca da suspensão das sanções internacionais que afetam Teerã desde 2006.

As partes estabeleceram 30 de junho como último prazo para redigir um texto completo e definitivo de acordo.

Os negociadores iranianos e americanos sofrem intensa pressão por parte dos setores conservadores. No Irã, a equipe dirigida pelo ministro das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, é acusada de fazer concessões excessivas aos ocidentais sobre esse tema.