Se a Superterça não serviu para definir um favorito a ocupar o cargo mais importante do mundo, pelo menos ajudou a afunilar a disputa. Na quinta-feira 7, após admitir a derrota nos 21 Estados que participaram das prévias, o republicano Mitt Romney abandonou a disputa. Dos seis pré-candidatos iniciais à Presidência dos Estados Unidos, agora sobram três: os democratas Hillary Clinton e Barack Obama e o republicano John McCain. Qualquer um deles terá uma herança maldita provocada pela crise do subprime, mas nenhum ainda declarou o que pretende fazer para tirar a economia americana da fossa cavada pelo governo de George W. Bush. E o buraco aumentou na semana passada. Na terça-feira 5, foi divulgado o índice ISM para o setor de serviços, que registrou forte queda de 54,4 pontos em dezembro para 44,6 no mês passado. O quadro piorou na quinta-feira 7, quando se divulgou que as vendas no varejo cresceram 0,5% em janeiro, contra previsão de 1,5%. É natural que os americanos se perguntem: o que os pré-candidatos farão para retirar a economia da recessão?

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Hillary Clinton leva vantagem. Ao passar os oito anos de governo do marido na Casa Branca, ela se viu cercada de especialistas que, agora, irão aconselhá- la. É o caso do prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, que presidiu o conselho de assessores econômicos de Clinton, e do ex-secretário do Tesouro Roberto Rubin, este último ex- CEO do Citibank. Na área social, ela também saiu na frente ao defender a universalização da saúde. “Se Hillary for indicada, há boa chance de termos um sistema de saúde na próxima administração”, diz o economista Paul Krugman, da Universidade de Princeton. A plataforma de Barack Obama é mais nebulosa. Ele prega mudanças, mas sem explicar quais seriam. Prometeu ajudar a classe média e sobre a economia disse apenas que precisa ser reformulada. Já John McCain pôs a preservação do liberalismo econômico americano no centro da campanha, fala da necessidade de controlar os gastos federais e simplificar o sistema fiscal. Mas deve manter os gastos militares.

PROPOSTAS: McCain defende o Brasil no G-8, Obama elogia biocombustíveis e Hillary promete uma retomada econômica

O Brasil que passa por um processo de redução de dependência dos Estados Unidos observa atento a disputa. A retração das exportações brasileiras ao mercado americano de 25,7% em 2002, para 15,8% em 2007, chama a atenção dos pré-candidatos. Em artigo publicado na revista Foreign Affairs, Hillary afirmou que o governo Bush desprezou os vizinhos do Sul. “Nós devemos apoiar as maiores democracias em desenvolvimento, Brasil e México”, escreveu. Na mesma revista, McCain defendeu a entrada do Brasil no G-8. “Deveríamos garantir que o G-8 se torne novamente um clube que reúne as maiores democracias de mercado ao incluir o Brasil e a Índia.” Na mesma linha, Obama elogia o programa brasileiro de combustíveis alternativos e acrescenta que “os Estados Unidos devem seguir esse exemplo”. Mas, alerta: nada de substituir a dependência do petróleo pelo etanol brasileiro.