Numa manobra para ajudar a salvar o presidente afastado da Câmara,  Eduardo Cunha (PMDB-RJ), da cassação, o SD trocou um dos dois membros  titulares do partido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da  Casa. A CCJ começou a analisar nesta terça-feira, 14, o parecer do  deputado Arthur Lira (PP-AL) que altera o rito de votação em plenário de  processos disciplinares contra deputados e que pode beneficiar Cunha.

O  SD retirou o deputado Major Olímpio (SP), contrário ao parecer de Lira e  favorável à cassação do presidente afastado da Câmara, e substituiu-o  pelo deputado Lucas Vergílio (GO), que votará a favor de Cunha.  Visivelmente contrariado, Major Olímpio anunciou a saída e afirmou que a  decisão de tirá-lo da comissão foi tomada pela direção da legenda,  presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da  Força, integrante da “tropa de choque” do presidente afastado da Casa.

A  mudança causou reação de alguns parlamentares. “Vossa Excelência  precisa da nossa ajuda ou da nossa proteção?”, questionou o deputado  Esperidião Amin (PP-SC), que já declarou ser favorável à cassação de  Cunha. A mudança feita nesta terça-feira pelo SD foi a segunda alteração  promovida por siglas aliadas do presidente afastado desde que o parecer  de Lira, ligado a ele, foi divulgado na CCJ.

Na semana  passada, a liderança do PR transferiu os deputados Jorginho Mello (SC) e  Paulo Freire (SP) de vagas titulares para a suplência na CCJ. No lugar  de Jorginho Mello e Freire, assumiram a titularidade os deputados Laerte  Bessa (DF) e Wellington Roberto (PB). A deputada Clarissa Garotinho  (PR-RJ), que está de licença-maternidade e era suplente, foi substituída  pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA). Bessa, Roberto e Bacelar são  membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e integram a tropa de  choque de Cunha no colegiado.

Leitura

Lira,  relator do parecer pró-Cunha, começou a ler o relatório sobre a  consulta na sessão desta terça. No documento, ele recomenda que o  plenário da Câmara poderá fazer mudanças na decisão do Conselho de Ética  e Decoro Parlamentar e que essas alterações não podem prejudicar o  representado.

Recomendou também que, caso a pena votada  seja rejeitada pelo plenário, Cunha será absolvido, não podendo ser  votada a representação inicial. As regras são consideradas favoráveis ao  deputado do PMDB do Rio, pois abrem caminho para que ele se salve da  nulidade do mandato. Isso porque pelas normas vigentes hoje na Câmara e  que o parecer de Lira tenta mudar, o plenário deve analisar o relatório  aprovado pelo conselho, ao qual não cabem emendas.

Caso  seja rejeitado, os precedentes indicam que o plenário deve votar a  representação inicial contra o deputado do PMDB, que, no caso de Cunha,  pede a cassação. Lira só conseguiu começar a ler o documento após  opositores de Cunha retirarem a obstrução ao documento. PT, PCdoB, PSDB,  DEM, PPS, Rede e PSOL desistiram de obstruir por temor de que a Mesa  Diretora da Câmara acuse a CCJ de protelar a votação do parecer e  decida, unilateralmente, sobre as questões do rito.

“Preferimos  ler hoje, pedir vistas e votar na próxima terça (20), para não dar  justificativa à Mesa”, afirmou o vice-líder do PCdoB Rubens Pereira  Júnior (MA). No Conselho de Ética, Cunha é alvo de processo por quebra  de decoro parlamentar, sob acusação de mentir à Comissão Parlamentar de  Inquérito (CPI) da Petrobras em 2015 de que possui contas secretas no  exterior. O processo se arrasta há mais de 225 dias. O parecer que pede a  cassação deve ser votado nesta terça.