11/05/2001 - 7:00
?O problema é a falta de liquidez.? Durante muito tempo, esta foi a frase mais ouvida quando os analistas avaliavam investimentos na Soma (Sociedade Operadora do Mercado de Ativos), a mais jovem das bolsas de valores brasileiras, cujo pregão eletrônico lembra uma versão nanica da americana Nasdaq. A análise, entretanto, está mudando. Ou, pelo menos, tem motivos para mudar. ?A falta de comprador para os papéis está deixando de ser um entrave?, afirma Fernando Bastos de Aguiar, diretor da Codepe Corretora de Valores. O que tem feito isso acontecer é o aumento no número de empresas listadas no pregão. Desde 1997, quando iniciou as operações, os ativos negociados saltaram de 26 para os atuais 122. Apenas este ano, quatro novas empresas abriram capital por lá. Entre elas, Splice, MRS Logística e Bonaire, todas de infra-estrutura. É claro, liquidez não depende só de quantidade. E se faltavam nomes fortes, a resposta começou a ser dada. Pela primeira vez, uma empresa de grande porte entra na lista da Soma: a companhia petrolífera Marlim, parceira da Petrobras na bacia de Campos, que tem inclusive participação de investidores estrangeiros. ?A Soma passou a ser opção para diversificar portfólios, apostar em dividendos e ganhar com a valorização a longo prazo?, completa Aguiar.
Até bem pouco tempo, as aplicações na Soma eram indicadas apenas para os investidores de venture capital, aqueles dispostos em apostar em empresas de pequeno e médio porte para lucrar com o crescimento. O principal enfoque era o setor de telecomunicações, tanto que essa bolsa foi inspirada no modelo de operação da americana Nasdaq, que concentra boa parte dos papéis das empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
?Hoje somos uma bolsa de acesso ao mercado acionário para qualquer tipo de empresa e investidor?, afirma Romeu Pasquantonio, diretor-geral da Soma. Com a diversificação dos ativos ficou mais fácil aproveitar a boa rentabilidade, reduzindo o risco de ficar com o papel encalhado quando precisar vender. No ano, o índice Isoma acumulou rentabilidade de 5% até abril. O porcentual é bem atrativo quando comparado com a queda de 2,2% do Ibovespa no mesmo período (observe quadro).
A Soma ainda mantém uma poderosa arma para acabar com o estereotipo de baixa liquidez. É a utilização do market makers (ou formadores de mercado). Os representantes de 13 instituições financeiras associadas assumem o compromisso de realizar regularmente operações com determinados papéis. Dessa forma, conseguem manter cotação constante. É por ter passado por esse estágio que empresas como Sabesp e CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações) conseguiram chegar com destaque na Bovespa. Na outra ponta, o investidor que comprou esses papéis ainda no pregão eletrônico também saiu ganhando com a valorização.
Atualmente, as principais estrelas do pregão carioca são as ações da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) e o recibo de carteira da Soma (RCS), formado por nove subsidiárias da Telemar. O investidor que apostou nesses papéis neste ano já experimentou o saboroso gostinho da liquidez. A Sanepar, por exemplo, teve uma valorização de 19% até 15 de maio. Já o RCS pagou dividendos aos acionistas, na forma de juros sobre o capital, o que representou ganhos de 3,11%. E ainda há margens para mais ganhos no longo prazo. Pelo menos é o que garante Pasquantonio. Segundo ele, os papéis das subsidiárias da Telemar ? Teleceará ON, Telesp PN e ON, Telma AN, Telpa AN, Telern AN e Telesergipe AN ? estão cotados com preço 20% abaixo do valor patrimonial. Exemplo dessa possibilidade de ganho foi registrado com os papéis da operadora de Telecomunicações de Pernambuco (Telpe). Em 2000, o lote de mil ações foi negociado a R$ 17. Agora, disparou para R$ 66. ?É a hora de procurar novas pechinchas?,diz Pasquantonio. No entanto, antes de começar a regatear preço no pregão da Soma, o investidor precisa saber se a empresa escolhida tem espaço para crescer. ?O risco maior está nas companhias que têm poucas ações disponíveis para compra e venda?, alerta Fernando Aguiar. É o típico exemplo de quando liquidez pode ser um problema.