06/05/2014 - 7:29
Com experiência de vários anos no mercado imobiliário europeu, o português Jorge Paulo Fernandes, atual CEO da Coldwell Banker no Brasil, rede americana de franquias imobiliárias, recebeu, nos últimos cinco anos, o desafio de desenvolver a estratégia da empresa em países em desenvolvimento. Esteve em Angola, no Qatar e em outros mercados da América do Sul. Pela sua missão passou o Brasil que vem exigindo muito mais tempo do que ele imaginava. Há dois anos no país, Fernandes tem um objetivo claro: “Queremos ser o McDonald´s dos imóveis”, diz ele.
A analogia do executivo está relacionada ao fato de que a Coldwell, uma das mais antigas redes de imobiliárias do mundo, criada em 1925, tem metas ambiciosas para o mercado brasileiro. Apesar de não ser um segmento novo no país, o sistema de franquias imobiliárias ainda não deslanchou por aqui. A Coldwell concorre com outras redes internacionais como as também americanas ReMax e Century21. “Nós acreditamos que não haverá bolha imobiliária no Brasil, as características da realidade imobiliária brasileira são muito diferentes da americana e por isso, acreditamos no potencial brasileiro.”
Desde que chegou ao país, em 2012, a empresa já investiu R$ 17 milhões para se estruturar e chegou ao mercado brasileiro por meio de uma parceria com a Brasilinvest, empresa de investimentos do empresário Mário Garnero. “Atualmente, já temos 22 imobiliárias por meio de franquias e nosso objetivo é fechar este ano com 60 unidades.” Entre esses franqueados, 70% possuem o perfil de start-ups, ou seja, novas imobiliárias que, sozinhas, não seriam capazes de se expandir nacionalmente.
O sistema da Coldwell é o mesmo de outras franquias tradicionais. O interessado investe um valor que pode chegar a até R$ 150 mil e passa a contar com uma rede de imobiliárias da Coldwel, não só no Brasil, mas também no mundo. “Com muitos estrangeiros interessados em adquirir imóveis no Brasil, aumenta a possibilidade de um dos nossos franqueados ter acesso a este tipo de cliente.” A rentabilidade neste negócio pode variar entre 17% a 20% ao ano.
Neste momento, Fernandes negocia para trazer grandes redes ao seu portfólio. Segundo ele, empresas como Fernandez Mera, Lopes e Brazil Brokers, são potenciais clientes. “Estamos conversando com grandes players e nosso objetivo é inverter essa proporção de 70% de start-ups, ou seja, que a maior parte de nosso portfólio seja composta de grandes imobiliárias.” No geral, o objetivo é montar uma rede de 350 unidades até 2018. A estratégia da rede também é crescer em outros segmentos.
Em março, a Coldwell lançou um novo segmento, o de gestão de patrimônio, negócio que já nasce com um cliente de peso, a família Garnero, sócia da rede no negócio de franquias, também se associou neste segmento e entregou R$ 1,3 bilhão em imóveis para serem administrados pela Coldwell. Entre outros planos, Jorge Paulo Fernandes também pretende avançar no segmento de agronegócio e infraestrutura levando aos investidores estrangeiros as oportunidades imobiliárias existentes no Brasil.
