24/09/2003 - 7:00
“E agora, senhoras e senhores, o novo embaixador da Sony Corporation para o mundo?, apresentou Nobuyuki Idei, o sisudo chairman do grupo japonês. A platéia de 3 mil convidados da companhia, reunida no primeiro fim de semana do mês no Palais des Congrés, em Paris, para a abertura da exposição Sony Dream World 2003, esperava a aparição de uma nova contratação do mundo dos negócios ou talvez um atleta ou artista. Mas quando as cortinas do palco se abriram quem surgiu foi Qrio, um robô baixinho e falante que a partir de agora viajará pelo planeta divulgando a marca Sony. Dotado de inteligência artificial, Qrio conversou com Idei e até dançou balé com seus clones. Mais do que tudo, porém, o robô é um prodígio de marketing, criado para ser a imagem pública por trás da ?visão do futuro? da Sony. Assediada ao mesmo tempo por rivais tradicionais, como Philips ou Panasonic, e empresas de tecnologia, como a Microsoft, que se dispõem a juntar eletrônica com entretenimento para entregar pacotes completos a consumidores ávidos por novidades, o grupo japonês respondeu recheando os três andares do centro de exposições parisiense com um impressionante arsenal de inovações tecnológicas. Em comum, elas têm a ambição de reunir o maior número de funções em um só aparelho. Um conceito que poderia ser resumido como ?tudo em um?.
Se os maiores fabricantes de computadores pessoais do mundo, como Dell e HP, se preparam para vender televisores de tela plana, que diferencial têm a oferecer as empresas tradicionais de áudio e vídeo? Na conferência de abertura do evento em Paris, oferecida a diretores de marketing e vendas de 60 países (a que DINHEIRO teve acesso), a cúpula mundial da Sony apontou os caminhos. Falando inglês, com tradução simultânea para nove idiomas, Kunitake Ando, presidente da divisão de eletroeletrônicos da Sony, tido como o melhor cérebro da corporação desde Akio Morita, previu a reinvenção da televisão nos próximos anos. O mais popular dos eletrodomésticos renasceria no centro de uma rede doméstica de comunicação e entretenimento. Para mostrar que está falando sério, Ando apresentou um equipamento chamado Air Tact ? um só aparelho onde, além de ver filmes e noticiários, você pode ?descarregar? fotografias de sua câmera digital, manipular as imagens e enviá-las para os amigos, além de navegar na internet. Ainda mais completo, o PSX é um inclassificável misto de play station, ilha de edição de imagens, TV, som e computador.
Uma lógica parecida vale para a Sony Ericsson, braço de telefonia móvel do grupo. A estratégia da joint-venture nipo-sueca para sobreviver no superpovoado mercado de celulares (mais de 1 bilhão de aparelhos habilitados no mundo) é se descolar dos ?populares? da categoria e apostar nos chamados ?smart phones? ? ferramentas portáteis para a troca de mensagens, imagens e, claro, voz. Quem circulou pelo Sony Dream World viu prodígios como o S0505i, o primeiro celular-câmera do mundo com 1.3 mega-pixel de definição (o suficiente para fazer e enviar fotos semi-profissionais). Este é só para o mercado japonês, mas a Sony já está bombardeando a Europa com celulares inteligentes que misturam telefonia móvel, tecnologia audiovisual e conteúdo, como o Z600, que resume as operações de fazer uma foto e enviá-la por e-mail a apenas seis cliques e tem como opcionais um console para videogame e um carrinho do tamanho de uma caixa de fósforo que se pode dirigir usando o celular como controle remoto.
Não há previsão de lançamento de nenhum desses produtos no Brasil, mas Jan Wäreby, vice-presidente mundial de Marketing e Vendas da Sony Ericsson, disse à DINHEIRO que, assim que a transição da telefonia celular da América Latina para o sistema GSM for completada, a região entrará no circuito dos ?smart phones?. ?No México foi muito rápido, e no Brasil também será?, prevê.