A companhia aérea norte-americana Spirit Airlines anunciou, na madrugada deste sábado, 2, o encerramento definitivo de suas atividades após 34 anos de operação. Em comunicado oficial publicado em seu site, a empresa confirmou o início de uma descontinuação ordenada de suas operações com efeito imediato.

A decisão resultou no cancelamento de todos os voos programados. A companhia informou que o atendimento ao cliente não está mais disponível, e embora tenha indicado que reembolsos devem ocorrer, alertou que os passageiros não receberão assistência para reacomodação em outras empresas aéreas. “Temos orgulho do impacto do nosso modelo de ultra baixo custo na indústria ao longo dos últimos 34 anos”, afirmou a instituição em nota.

O colapso da empresa, que empregava cerca de 17 mil funcionários, ocorre em um cenário de forte pressão econômica. A Spirit Airlines enfrentava dificuldades financeiras persistentes desde o início da pandemia de Covid-19, acumulando prejuízos superiores a US$ 2,5 bilhões entre 2020 e 2024.

A situação se agravou com a alta nos preços dos combustíveis de aviação, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. Em agosto de 2025, a companhia havia solicitado proteção contra falência pela segunda vez em menos de dois anos, relatando dívidas de US$ 8,1 bilhões frente a ativos de US$ 8,6 bilhões.

Intervenção governamental

Na sexta-feira, 1, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo estava analisando o cenário e que havia apresentado uma “proposta final” para uma aquisição financiada pelos contribuintes. A possibilidade de um resgate financeiro vinha sendo discutida desde a semana anterior, quando a crise de liquidez da empresa se tornou insustentável.

A descontinuação das operações marca o fim de um modelo de negócio focado em tarifas reduzidas que pressionou a concorrência no mercado norte-americano por décadas, mas que sucumbiu ao endividamento crescente e aos custos operacionais elevados.

* Com informações do Estadão Conteúdo e AP