O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, 16,  manter o rito do impeachment definido no julgamento de dezembro do ano  passado. Nove dos 11 ministros optaram por acompanhar o ministro  relator, Luís Roberto Barroso, e rejeitar o recurso apresentado pelo  presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Cunha  questionava a proibição de os deputados poderem se candidatar em chapa  avulsa para integrar a comissão especial que deverá analisar o pedido  contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara. No julgamento do ano  passado, o STF anulou o colegiado que havia sido formado e decidiu que  apenas parlamentares indicados pelos líderes dos blocos partidários  poderiam compor o colegiado.

O presidente da Câmara também  defendia mudar a decisão o rito definido no julgamento de dezembro para  garantir que a eleição dos integrantes da comissão fosse feita por voto  secreto. Além disso, Cunha pedia revisão do Supremo ao poder dado ao  Senado, que pode negar a abertura do processo de impeachment mesmo que a  Câmara já tenha autorizado.

“Todos os pontos apresentados  pela embargante (Mesa Diretora da Câmara) foram julgados pelo tribunal  de forma clara, coerente e fundamentada”, defendeu Barroso. Ele  desqualificou os questionamentos apresentados por Cunha e comparou a  admissão das candidaturas avulsas com a hipótese de o representante do  Corinthians junto à CBF ser escolhido por outros times. Para ele, não  faz sentido que o representante de um partido seja escolhido pelo  plenário e não pelo líder da sigla.

Sobre a eleição dos  membros da comissão por voto secreto, o ministro afirmou que o acórdão  do julgamento de dezembro segue o rito adotado pela Câmara no processo  de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992. “Simbólica que  tenha sido, a votação foi aberta”, assegurou.

Divergência 

Os  ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes discordaram, no entanto, da tese  adotada pela maioria. Para Toffoli, o rito do impeachment tal como foi  definido nega o reconhecimento da vontade popular, pois diminui os  poderes dos deputados no processo. “Estamos transformando uma eleição de  513 deputados numa indicação de 10 ou 12 líderes partidários”, afirmou.

Sobre  o papel do Senado no processo, Toffoli defendeu que a Câmara pode  autorizar o processo do impeachment; já ao Senado, caberia processar e  julgar, “e não analisar a instauração do processo”.

Em seu  voto, Mendes fez uma série de críticas ao governo ao afirmar que a ida  do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil é  ”uma bizarrice que nos enche de vergonha” e uma “desfaçatez”. Ele disse  também que Dilma escolheu um “tutor” para assumir seu lugar na  Presidência e que a nomeação teve a intenção de livrar Lula da  investigação que ocorre em Curitiba, sob condução do juiz Sérgio Moro

Após  as críticas de Mendes ao governo, Barroso alfinetou o colega ao dizer  que não era comentarista político. O ministro também defendeu o seu  voto, disse que aceitava opiniões diferentes, e que não iria rebater os  argumentos apresentados pela dupla porque tinha “postura e linguagem” de  um juiz da Suprema Corte.

Barroso foi acompanhado pelos  ministros Rosa Weber, Luiz Fux, Teori Zavascki, Cármen Lúcia, Marco  Aurélio Mello, Celso de Mello, Luiz Edson Fachin e Ricardo Lewandowski,  que preside a Corte. Fachin era o relator original do processo e ficou  vencido em dezembro em um voto que concordava com os termos apresentados  por Cunha no recurso. Nesta quarta, o ministro manteve o voto anterior,  mas reconheceu a derrota e concordou com Barroso votando para que o  acórdão original fosse preservado.

O julgamento foi  acompanhado por deputados da oposição. A maioria deles deixou o plenário  logo após a maioria da Corte votar pela rejeição do recurso. Logo no  início da sessão, manifestantes pró-impeachment haviam promovido uma  queima de fogos em frente ao Tribunal.