Navegando nas profundezas da internet nasceu o site Submarino, há 23 anos. Uma alegoria interessante em um meio on-line que se apropriou de termos relacionados aos exploradores e desbravadores de um novo mundo. Com o passar dos anos, o marketplace se consolidou como um dos principais do Brasil e depois da junção da B2W com a rede Lojas Americanas, em 2021, passou a integrar um grupo que nos primeiros nove meses de 2022 reportou receita líquida de R$ 18,8 bilhões, com empresas referências no varejo físico e digital. Em um novo movimento, fruto da maior associação com o universo Americanas S.A, o Submarino emergiu e busca criar raízes no mundo físico, com primeiro ponto inaugurado em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

O projeto de franquias de quiosques do Submarino é encabeçado pelo Grupo Uni. co, que desde abril de 2021 é integrante do universo Americanas. Ele é responsável por franquias famosas no Brasil, como Puket, Imaginarium e Casa MinD. Em um primeiro grande movimento desde a compra, surgiu o plano de transformar o tradicional marketplace em loja física, complementando a estratégia de crescimento do grupo, que ainda inclui dobrar de tamanho com as marcas com as quais já trabalha em um período de três a cinco anos. Atualmente são 418 lojas em operação.

Divulgação

Para o projeto do Submarino a estratégia foi segmentar, e a escolha foi pelos acessórios eletrônicos, como mouses, teclados e capinhas de celular. Isso de olho no mercado potencial, já que o Brasil tem 1,6 dispositivo portátil por pessoa, com 352 milhões de unidades, entre smartphones, notebooks e tablets, segundo levantamento da FGV. “Queremos explorar essa categoria, porque vemos uma oportunidade muito grande de mercado”, disse o CEO do Grupo Uni. co, Wellington Santos. “Ele vai continuar crescendo nos próximos anos e não tem nenhum player atuando de forma consistente e relevante dentro desse segmento.” Outro ponto foi o próprio reconhecimento de marca do Submarino, que já possui forte identificação com consumidores desse universo, de acordo com Santos. A estratégia também permite fortalecer a marca própria da Americanas S.A, a TMV, de acessórios eletrônicos. Ela será vendida nos quiosques ao lado de outras opções para o consumidor. As unidades terão entre 6m2 e 9m2, com sortimento de 700 produtos e investimento inicial de R$ 120 mil.

OMNICHANNEL Já não é de agora que ser omnicanal é o conceito da vez no varejo. Depois da expansão do e-commerce com a pandemia e o retorno do físico com a liberação do comércio, o setor passou a investir intensamente na integração de suas operações, tudo para atender um consumidor cada vez mais exigente e adepto a comodidade e imediatismo. Na visão de Marcelo Cherto, da Cherto Consultoria, essa necessidade de proporcionar mais possibilidades para o consumidor é um dos motivadores para que tantas lojas virtuais busquem o caminho para o mundo físico. “Não vejo mais possibilidade de você atuar em um canal só”, disse.

Nessa estratégia omnicanal do Submarino, a ideia de prateleira infinita já é projetada para o início de 2023. Nela, o consumidor pode adquirir os produtos do site pela loja, reduzindo a frustração de compra caso algo não seja encontrado no sortimento reservado para os quiosques. Além disso, movimentos já quase mandatórios, como comprar no site e retirar na loja e entregas mais rápidas estão no planejamento.

Divulgação

“Temos a intenção de ter presença nacional e acreditamos em mirar para tamanho de loja maior” Wellington Santos CEO do Uni.co

O número total de pontos previstos para esse projeto não foi divulgado, mas dado o propósito de dobrar de tamanho da Uni. co e o potencial que eles planejam para o Submarino, não serão poucas unidades. “Temos a intenção de ter presença nacional e, para algumas regiões, acreditamos em mirar para tamanho de loja maior”, disse Santos. Na experiência de Cherto, para que o formato realmente seja viável, é preciso pensar em pelo menos 150 a 200 unidades para “começar a arranhar o mercado”.

Seguindo um caminho cada vez mais comum no varejo, o movimento busca levar maior identificação aos consumidores, apostando em aproximação e experimentação. Além disso, a marca pode se beneficiar de um fenômeno quando surgem pontos físicos: o aumento de vendas virtuais.