17/09/2015 - 14:07
O megaescândalo de corrupção da Fifa entrou numa nova fase importante nesta quinta-feira, com a decisão da justiça suíça de autorizar pela primeira vez a extradição para os Estados Unidos de um dos dirigentes presos desde maio, o uruguaio Eugenio Figueredo ex-vice-presidente da entidade.
O Escritório Federal de Justiça (OFJ) indicou em um comunicado que o cartola detido em 27 de maio, em Zurique, junto a outros seis dirigentes da organização a pedido dos Estados Unidos, tem 30 dias para recorrer da decisão ante o Tribunal Penal Federal.
Esta decisão inédita significa que o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF, também preso na Suíça, igualmente corre risco de ser extraditado nas próximas semanas.
Até agora, apenas um dos detidos de Zurique aceitou a extradição, Jeffrey Webb, ex-vice-presidente da Fifa e presidente da Concacaf, que acabou comparecendo diante de um tribunal de Nova York no dia 18 de julho e foi solto após pagar fiança de 10 milhões de dólares.
A justiça suíça prometeu tratar os pedidos rapidamente, e, até mesmo se Figueredo usar todos os recursos possíveis, a viagem forçada para os Estados Unidos parece mais próxima do que nunca.
Figueredo é suspeito de ter aceito propinas de milhões de dólares da parte de uma empresa de marketing uruguaia, em meio à negociação pela atribuição dos direitos comerciais das edições de 2015, 2016, 2019 e 2023 da Copa América.
A procuradoria de Nova York também acusa o cartola de ter obtido a nacionalidade americana com atestados médicos falsos apresentados em 2005 e 2006.
A ordem de prisão saiu no dia 20 de maio, e o pedido de extradição chegou à Suíça em 1º de julho.
O OFJ justificou a decisão de autorizar esta extradição ao explicar que todas as condições estão reunidas. O comunicado divulgado pela entidade argumenta que as acusações que pesam contra o uruguaio também são sujeitas a punições na Suíça.
No total, 14 pessoas foram indiciadas, nove altos dirigentes da Fifa e cinco empresários do ramo do marketing esportivo.
De acordo com a investigação americana, o esquema de corrupção movimentou cerca de 150 milhões de dólares nos últimos 25 anos.
Na segunda-feira, Loretta Lynch procuradora-geral dos Estados Unidos, já tinha adiantado numa entrevista coletiva em Zurique que estava “esperançosa” de que os cartolas serão extraditados.
Ela também avisou que pretende “indiciar outras pessoas e organizações”.
Seu colega suíço, Michael Lauber, que participou da mesma coletiva, realizada por ocasião de uma conferência internacional de procuradores, deixou claro que as investigações “não estão nem perto do intervalo entre o primeiro e o segundo tempo”, além de anunciar que ativos financeiros foram apreendidos, inclusive apartamentos nos Alpes Suíços”.
Foi na Suíça que o escândalo estourou, em maio, quando Figueredo, Marin, Webb e outros quatro altos dirigentes foram presos num hotel de luxo de Zurique, onde pretendiam participar do congresso que reelegeu Joseph Blatter pela quinta vez à frente da entidade.
Diante da forte pressão internacional, principalmente da parte dos patrocinadores, o dirigente suíço acabou colocando o mandato à disposição, mas permanece no cargo até a eleição do seu sucessor, marcada para o dia 26 de fevereiro.
Por enquanto, Blatter ainda não teve o nome ligado às investigações.
Na segunda-feira, quando foi perguntada o presidente demissionário da Fifa também será ouvido, Lynch preferiu usou o humor para desviar o foco, ao afirmar que “não está a par do cronograma de viagens” do suíço de 79 anos.