08/03/2006 - 7:00
A SulAmérica Investimentos, braço de administração de recursos da seguradora
carioca, mudou seu foco de atuação. De novo. Seus esforços agora estão voltados para a conquista de investidores institucionais. Em dezembro de 2004, a companhia contava com 47 clientes desse tipo, entre fundos de pensão, seguradoras e empresas. No final do ano passado, eles já somavam 70 ? um crescimento de 49%. Para potencializar esta expansão, a área de gestão foi incrementada, com a contratação de analistas para os segmentos de renda fixa e renda variável. Os fundos de pensão mereceram atenção especial, com a criação de uma consultoria para atender os gestores dessas instituições. E as praças do Rio de Janeiro e de Brasília, onde se concentra boa parte das fundações de previdência das estatais, foram reforçadas. Tudo coerente com a nova proposta da companhia ? e, ainda assim, inquietante. Afinal, esta é a segunda mudança de estratégia da SulAmérica Investimentos em menos de cinco anos.
Em 2001, a empresa, criada para gerir recursos da própria seguradora, decidira dedicar-se à conquista de clientes private (pessoas físicas de altíssimo poder aquisitivo). No entanto, a falta de capilaridade da companhia, que não tem parceria com nenhum banco de varejo, revelou-se um obstáculo para a expansão nesse segmento. Isso explica a decisão da SulAmérica de apostar no cliente corporativo ? como fez no ramo de seguro saúde, deixando de vender planos individuais. A prioridade são as grandes fundações. E não é difícil entender o porquê. Maiores investidores do País, os fundos de pensão têm patrimônio conjunto de R$ 294,5 bilhões. Mas este não é um território para ganhos fáceis. ?É uma área que dá bastante volume, mas como as taxas de administração são baixíssimas, os ganhos se tornam modestos?, pondera Erivelto Rodrigues, da Austin Rating. Até por isso, a SulAmérica garante que não promoverá uma guerra de tarifas. ?Vamos crescer oferecendo produtos de qualidade?, diz Marcelo Mello, vice-presidente da companhia.
Enquanto tentam achar o foco, os executivos da gestora enfrentam a turbulência provocada pelos desentendimentos entre os controladores da SulAmérica. Um aporte de R$ 140 milhões, feito para ampliar as reservas técnicas da companhia, foi encarado pela família Larragoiti, fundadora e controladora, como uma manobra dos holandeses da ING para diluir sua participação na empresa. Como complicador adicional, a SulAmérica fechou 2005 com prejuízo de R$ 38,8 milhões. Acendeu-se a luz amarela.