05/02/2026 - 15:14
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026, valor 85,8% maior do que os US$ 2,337 bilhões somados no mesmo período do ano passado. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 5, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
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O saldo positivo foi puxado sobretudo por uma queda acentuada de 9,8% nas importações, que foram de 23,06 bilhões para US$ 20,81 bilhões. As exportações também caíram, porém, em uma proporção bem menor, de 1,0%, somando US$ 25,153 bilhões contra US$ 25,4 bilhões no ano anterior.
A corrente comercial (número que registra a soma de todas as transações comerciais, seja importações ou exportações) foi de US$ 46 bilhões, volume 5,1% inferior aos US$ 48,5 bilhões alcançados em 2025.
Desaceleração econômica impacta importações
Diretor de Planejamento e Inteligência Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão explicou que a queda nas importações está relacionada a uma menor demanda interna. “Na medida em que se espere que a economia cresça menos em relação ao aumento que foi observado no ano passado, é natural que tenha uma menor demanda por bens importados”, disse.
Ao mesmo tempo, o técnico do MDIC afirma que há impactos de questões sazonais, como compras menores de insumos agrícolas ocasionadas por mudanças na safra.
As reduções mais significativas nas importações foram observadas na categoria de bens intermediários, ou seja, produtos semiacabados usados na produção de outros bens. A queda no grupo foi de 15%, com destaque para a redução de 21,5% em combustíveis.
Ao mesmo tempo, houve um crescimento de 1,1% no valor importado de bens de capital (categoria de bens usados na produção de outros, como maquinário) e de 11,9% no de bens de consumo (produtos finais adquiridos pelos consumidores).
Exportações caem, porém somam terceiro maior valor da história
As exportações brasileiras caíram 1,0% em janeiro de 2026. Apesar do recuo nas exportações, Herlon Brandão destacou que a comparação se dá sobre uma base elevada. A soma de exportações em janeiro de 2026 foi a terceira maior para o mês na história, atrás apenas do ano passado e do recorde registrado em 2024, de US$ 27,016 bilhões. A série histórica tem início em 1989.
A queda neste ano foi mais expressiva nos embarcamentos para a América do Norte (-18,2%). Em meio a taxas criadas pelo governo Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25,5%. Houve recuo também nos envios para a Europa (-1%).
Ao mesmo tempo, as vendas brasileiras para o Oriente Médio dispararam 31,6%. Os Emirados Árabes Unidos foram o maior destaque individual, com um aumento impressionante de 110,1%, passando de US$ 290 milhões para US$ 600 milhões. O crescimento para o Iêmen foi de 330,2%, gerando um aumento de US$ 100 milhões nas vendas. Já para o Irã, a alta foi de 21,4% (US$ 100 milhões).
Também houve crescimentos expressivos nos envios para a China (17,4% com aumento de US$ 1 bilhão) e Índia (14,4%, com aumento de US$ 100 milhões).
