i100754.jpg

Com uma produção de 1,2 bilhão de litros, o Brasil é o terceiro produtor de etanol do mundo

DESDE QUE OS BIOCOMBUSTÍVEIS despontaram como fortes candidatos para diminuir a dependência do petróleo, o Brasil se destacou como um dos líderes dessa tecnologia. Tanto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a apostar que a produção de biocombustíveis colocaria o Brasil no G8 – seleto grupo dos países ricos. Com uma produção de 1,2 bilhão de litros de biodiesel em 2008, o Brasil se tornou o terceiro produtor e consumidor do produto no mundo, ficando atrás apenas da Alemanha e dos Estados Unidos. Mas tudo indica que o País poderá assumir a dianteira em poucos anos. Isso porque, diferentemente dos EUA e da Europa, o Brasil possui espaço suficiente para aumentar a produção. Mas o reconhecimento do biocombustível como substituto do petróleo enfrenta resistências. Apesar das vantagens da produção do álcool de cana brasileiro, o governo Bush estabeleceu um forte protecionismo para a produção americana de álcool de milho. O boicote ao etanol brasileiro, porém, parece estar perto do fim. Nesta semana, o presidente Lula se encontrará com Barack Obama. Uma parceria com o Brasil na produção de biodiesel está entre as prioridades a serem discutidas. (leia matéria sobre o assunto na pág. 32). A reação de Bush ao biodiesel brasileiro não foi a primeira pressão enfrentada pelo País. O produto foi apontado pela ONU como o grande culpado pela inflação nos preços dos alimentos, no período anterior à crise que estourou em setembro. Para o professor da Unicamp, Luís Cortez, o motivo de tantas críticas é político. “O uso de biocombustíveis incomoda porque isso significou, na prática, que os países desenvolvidos continuarão dependendo das nações emergentes”, diz.

i100755.jpg

 

 

Atualmente existem diversos meios de produção do etanol. Ele pode ser proveniente de matériasprimas agrícolas que contenham açúcar, como cana, beterraba e sorgo, ou amido, como milho, mandioca e batata. Materiais ligno-celulósicos, como madeira e resíduos agrícolas – bagaço e palha de cana – são igualmente usados. Culturas como a do pinhão manso e a do girassol também têm potencial na produção de biocombustíveis, mas ainda não existe uma base sólida de dados e experiência agronômica em larga escala para se recomendar seu uso. No mundo, a quase totalidade do etanol é feita a partir do milho, pelos EUA, cana-de-açúcar, pelo Brasil, e beterraba e cereais, pela Europa. No Brasil, a cultura da cana está em grande parte concentrada na região Centro-Sul, pelo clima e pela qualidade do solo. Mas as terras mais abundantes para o cultivo de culturas energéticas estão no cerrado. “Numa diagonal que vai do Mato Grosso do Sul ao Sul do Maranhão e do Piauí existem mais de 200 milhões de hectares aptos a esse tipo de cultura energética. O grande problema é a falta de chuva”, conta Cortez. Num recente estudo coordenado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético, com a colaboração do Centro de Tecnologia Canavieira, foram identificadas grandes regiões para o cultivo da cana no Brasil, sem causar impacto na produção de alimentos ou em regiões de preservação. O estudo concluiu que, com cerca de 30 milhões de hectares adicionais, o Brasil pode produzir mais de 200 bilhões de litros de etanol. Isso ajudaria a substituir 10% da demanda mundial de gasolina em 2025, criando mais de 10 milhões de novos empregos no País.

A capacidade de produção do combustível no Brasil é de 3,7 bilhões de litros, mas só produziu 1,2 bilhão de litros em 2008. A diferença será absorvida devido à adição de 3% de biodiesel ao diesel, imposta pelo Ministério de Minas e Energia. O governo estuda ainda antecipar de 2013 para 2010 o aumento para 5%. “O Brasil carece de investimentos em pesquisas e maior agressividade do governo e dos empresários para construir um mercado internacional de biocombustíveis”, afirma Cortez. Na última semana a Petrobras Biocombustível informou que irá investir US$ 2,4 bilhões no segmento de produção de biodiesel e etanol para o período de 2009-2013 – aumento de 87% em relação ao plano anterior.