Foi em 2015 que Rafael Zulu, empresário que organizava shows na noite de São Paulo, deu uma ideia para o cantor Thiaguinho: fazer um show em formato de roda de pagode em um ambiente mais intimista, na beira de uma piscina, para 600 pessoas. Nascia a Tardezinha.

Desde então o negócio cresceu e em uma década ele atingiu cifras importantes: receita total de R$ 1,5 bilhão. Somente em 2025 foram mais de R$ 300 milhões de faturamento, público de mais 900 mil pessoas e shows em 22 cidades do Brasil e no exterior: Miami, Luanda, Sidney e Lisboa. Os sócios se espelham na Disneylândia para continuar repetindo o sucesso.

A IstoÉ Dinheiro conversou com Rafael Zulu e Rafael Liporace, dois dos responsáveis pelo sucesso da que foi considerada a maior turnê do país, superando a despedida da dupla Sandy e Júnior. Zulu explica que chamou mais dois sócios para colocar a ideia nos trilhos.

“Eu falei com o Thiago, que também é um idealizador, que topou na hora. Sem ele acreditar, a ideia não teria saído do papel. Eu falei com o Renan (Coelho, o terceiro sócio) e ele falou que toparia se pudesse chamar o Liporace. No primeiro contato com ele, eu ouvi uma frase que eu não esqueci: ‘talvez a gente esteja à frente do maior projeto de entretenimento do Brasil’. E estamos aqui hoje”, explicou.

A edição 2025 da turnê conta com mais dois show: neste sábado, 13, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro; e no dia 20, em São Paulo, no Autódromo de Interlagos. 

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Thiaguinho e Rafael Zulu Foto: BS Fotografias

Confira os principais pontos da entrevista

Pensando pequeno e pensando grande

Para colocar a ideia na estrada, Rafael Zulu, Thiaguinho e o empresário Renan Coelho chamaram o professor de publicidade e propaganda da ESPM Rafael Liporace. Dono de uma agência de eventos, ele afirmou que enxergou no negócio um grande potencial logo em seu início. 

“Desde o começo a gente via que esse negócio poderia ser grande e enxergamos ele assim, nós não o víamos como uma festa pontual, em volta da piscina, mas uma coisa grande. Hoje a gente tem um tamanho que permite sermos assunto em rodas da Faria Lima, mas pensando nas premissas e características de gestão e cultura de quando éramos pequenos”, explicou. 

Tardezinha no Engenhão, Rio de Janeiro Foto: BS Fotografias

O castelo da Disney

Desde o início o projeto segue basicamente a mesma fórmula: uma roda de samba, com um palco 360 graus, onde Thiaguinho convida nomes importantes do pagode para um show que geralmente dura mais de 4 horas. Por conta disso, Liporace explica que a ideia entre uma turnê e outra não é pensar em inovação, mas em ampliação. 

“A nossa inspiração para isso é a Disney, pela inspiração da percepção do consumidor. Se você olhar, você vai na Disney em Paris, ela não é igual a Disney de Orlando, que não é igual a da Califórnia, que não é igual a Disney da Ásia, mas você se enxerga dentro da Disney. O castelo da Disney, ele não muda todo ano, ele tá lá há 50 anos, mas muda o show, muda a projeção mapeada. As pessoas querem ir para ver o mesmo castelo”, explicou. 

Ativações com marcas

Atualmente a turnê conta com 18 parceiros, entre patrocínios master, oficiais, complementares e de mídia. Procurado pela reportagem, o Grupo Petrópolis, dono da marca Itaipava, um dos patrocinadores master do evento, afirma que são consumidos mais de 40 mi litros de cerveja por show, em média. 

“A gestão profissional de toda a equipe faz toda a diferença. Nós estamos com eles desde o começo, quando era pequeno, e vemos a seriedade que a equipe trata todo o evento, o produto. Garanto que se tiver mais 10 anos pela frente, eu quero estar 10 anos com eles, porque eu sei que ali vai ter profissionalismo”, explicou José Luiz Sinti, Gerente de Patrocínios do Grupo Petrópolis. Questionado pela reportagem, Liporace não garantiu quando será a próxima edição do evento.

O grupo também conta com produtos oficiais e parcerias que vão desde a cerveja da turnê até curso de pós-graduação em gestão de eventos, com a Estácio.