27/02/2025 - 9:08
A taxa de desemprego subiu para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro, aumentando 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (6,2%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira, 27, pelo IBGE.
“Trata-se da segunda variação positiva em sequência, após o menor nível de desocupação da série histórica registrado no trimestre móvel de setembro a novembro (6,1%)”, destacou o IBGE.
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Apesar da alta no desempregado, o resultado ficou um pouco abaixo da expectativa. A mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 6,6% no período.
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O número de desempregados no país somou 7,2 milhões de pessoas. Frente ao trimestre móvel anterior (agosto a outubro), houve aumento de 5,3%, o que corresponde a um aumento de 364 mil trabalhadores.
A população ocupada encolheu para 103 milhões, uma queda de 0,6% (menos 641 mil pessoas) no trimestre. Já o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) recuou para 58,2%, diminuindo 0,5 p.p. frente ao trimestre móvel anterior (58,7%).
Sinais de desaceleração
O mercado de trabalho vem se mostrando aquecido com a taxa de desemprego em patamares baixos e renda em alta, mas pode começar a dar sinais de desaceleração juntamente com a economia em meio ao impacto da política monetária restritiva sobre a demanda.
A inflação elevada vem mantendo o Banco Central em trajetória de aperto monetário, tendo elevado a taxa básica de juros a 13,25% e indicando nova alta de 1 ponto percentual na próxima reunião, em março.
A redução na ocupação na base trimestral foi liderada por Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (menos 469 mil pessoas) e Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (menos 170 mil pessoas).
“A leitura qualitativa do indicador sugere que o mercado de trabalho continua robusto, embora sinais de deterioração na composição já comecem a surgir”, disse Igor Cadilhac, economista do PicPay. “Para os próximos meses, esperamos uma desaceleração gradual, especialmente a partir do segundo trimestre. Ainda assim, o mercado de trabalho deve permanecer aquecido e pressionando a inflação por um período prolongado.”
Na visão do Itaú, os dados divulgados para janeiro “indicam, mais uma vez, um mercado de trabalho resiliente”.
“A estabilidade da taxa de desemprego veio acompanhada de uma diminuição na população ocupada no setor informal, que foi compensada por um aumento no emprego no setor formal e leve diminuição na taxa de participação. Além disso, enquanto os salários reais efetivos ficaram abaixo das nossas expectativas, diminuindo 0,3% mês a mês, a massa salarial real efetiva subiu 0,2%”, destacou o banco, em relatório.
*Com informações da Reuters