A mais recente pesquisa eleitoral, divulgada ontem à noite pelo Datafolha e que apontou, pela primeira vez, um empate técnico entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o candidato do PSDB, o senador Aécio Neves, em uma eventual disputa de segundo turno, somada ao sinal negativo do dólar no Brasil e no exterior contribuem para a devolução de prêmios entre os juros futuros nesta manhã. Os DIs também estão atentos às apostas de corte na taxa Selic antes das eleições presidenciais de outubro, o que traz um ligeiro viés de alta aos derivativos domésticos mais curtos.

Às 9h15, na BM&FBovespa, o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 10,72%, na mínima, de 10,71% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2016 tinha taxa de 10,94%, de 10,95% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2017 projetava taxa de 11,24%, de 11,29% no ajuste da véspera; e o DI para janeiro de 2021 estava em 11,67%, de 11,79% no ajuste anterior.

É válido lembrar que ontem a curva a termo de juros futuros passou a precificar a chance de cerca de 30% de corte da taxa Selic já na próxima reunião do Copom, em setembro. A aposta ganhou força após uma safra de dados econômicos negativos divulgados ao longo desta semana, o que acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto. Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem encontro marcado no local, às 10 horas.

Há um receio do governo de que o desempenho ruim da atividade seja refletido na urna. Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que as intenções de voto na presidente Dilma Rousseff (PT) oscilaram de 38% no início de julho para 36% agora. O candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, manteve os 20% de intenções de voto, enquanto o candidato do PSB, Eduardo Campos, oscilou de 9% para 8%.

Juntos, todos os rivais de Dilma também somam 36%. Considerando a margem de erro, não é possível dizer se haveria ou não segundo turno. Ainda assim, em uma eventual segunda rodada do pleito, Dilma aparece tecnicamente empatada com Aécio pela primeira vez. A petista tem 44% das intenções ante 40% do tucano, também dentro da margem de erro. No levantamento anterior, Dilma somava 46% e Aécio, 39%. Ainda segundo a pesquisa, a aprovação ao governo Dilma caiu e a rejeição a ela aumentou.

Nesta manhã, a FGV informou que o IGP-M caiu 0,51% na segunda leitura do mês, com a deflação perdendo força ante a queda de 0,64% registrada pelo mesmo indicador na mesma prévia de junho. O resultado ficou no piso do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que iam de -0,30% a -0,51%, e situou-se abaixo da mediana projetada, de -0,46%. Até a segunda prévia de julho, o IGP-M acumula altas de 1,92% no ano e de 5,42% em 12 meses.

Já no exterior, os conflitos geopolíticos na Ucrânia e em Israel mantêm a aversão ao risco, sobretudo nas bolsas, ao mesmo tempo em que há também um movimento de correção, especialmente nos juros dos Treasuries e no dólar, em meio à percepção de que os problemas em ambos os locais não devem contagiar a economia global de modo mais amplo.

Ainda por volta das 9h15, no mercado de bônus, o juro da T-note de 10 anos estava em 2,471%, de 2,457% no fim da tarde de ontem em Nova York. (Olívia Bulla – olivia.bulla@estadao.com)