08/05/2002 - 7:00
Yahoo!, AOL, Universo Online, não importa. Nove em cada dez empresas que apostaram na internet como modelo de negócio hoje têm um único sonho em comum: colocar as contas no azul com a oferta de serviços pagos, preferencialmente via assinaturas. No mês passado, porém, o que era virtual se tornou realidade no último balanço trimestral da RealNetworks, empresa mais conhecida pelo seu software RealPlayer, que permite a exibição de vídeos curtos pela internet. Mas a estrela do anúncio não foi o programa que já roda em 90% dos PCs. Quem apareceu no dia da divulgação foi um serviço pouco conhecido por aqui, mas que já conquistou 600 mil usuários em outros países do mundo: o RealOne. Trata-se de um navegador de internet, uma versão aprimorada de programas como o Internet Explorer e o Netscape. No RealOne, a tela se divide em três. Em uma parte, é possível assistir a vídeos especialmente codificados para a rede. Em outra, pode-se ver um índice de conteúdo. Embaixo das duas, o usuário fica livre para viajar na internet.
Para ter o serviço em casa é preciso pagar US$ 9,95 ao mês. Com mais US$ 9,95 pode-se baixar músicas das gravadoras EMI e BMG no computador. A fórmula representou 44% do faturamento total da Real e cresceu 40% do quarto trimestre de 2001 para o primeiro de 2002. O lucro operacional pode não ter sido muito alto ? US$ 1 milhão ?, mas não deixou de azular o balanço. CNN, Financial Times, Yahoo e The Wall Street Journal produzem conteúdos para o RealOne e ficam com parte da arrecadação, o que caiu como uma bênção num setor que assistiu à queda da publicidade on-line. ?Os anúncios não morreram, mas é claro que eles não sustentam uma operação?, diz Evandro Audi, presidente da RealNetworks no Brasil. Na última semana, o êxito atraiu a Sony, que assinou um contrato com a Real para transportar seus produtos para tocadores de MP3.