Os últimos anos foram marcados pela corrida para cumprir as metas impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ? e os investimentos foram recordes. Agora, as grandes operadoras de telefonia do País entram em uma nova fase: a disputa pelo mercado das outras, após o período de divisão estrita entre serviços locais e de longa distância. ?Não vai ser um ano qualquer?, resume Purificación Carpinteyro, vice-presidente de Assuntos Locais da Embratel, favorita à condição de gigante nacional nos vários formatos de telefonia fixa. Os investimentos das empresas podem parecer pequenos diante do volume despendido para se cumprir as metas da Anatel, mas grandes se comparados à temporada recessiva no mundo. Se em 2001 os investimentos chegaram a R$ 18 bilhões, este ano são previstos gastos de R$ 9 bilhões ? a Embratel, por exemplo, já previu R$ 1,2 bilhão para 2002. O acirramento da concorrência trará efeitos para os vários tipos de consumidor. Os preços? ?Ao contrário do que deve ocorrer em todo o mundo, os preços devem baixar no Brasil?, diz Purificación.

O setor corporativo ? com seu nível de inadimplência menos assustador que o residencial ? é um nicho por onde querem entrar empresas como a AT&T, que guarda a sete chaves a estratégia de afirmação no mercado brasileiro de telefonia. ?As regras da Anatel nos deixaram muito otimistas?, afirma o vice-presidente de Assuntos Corporativos da AT&T, Arthur Itaussu. Ele vai contra uma corrente dominante, a dos que acham que só a partir do quarto trimestre ? ou no mínimo do terceiro ? poderão ser feitos investimentos mais pesados. ?Não vale a pena esperar o melhor quadro da economia mundial para entrar no setor, o momento é o de ocupar.?

Para o consultor Virgilio Freire, especializado em telecomunicações, somente um segmento terá aumento no volume de investimentos em relação aos anos passados: a telefonia móvel. A Oi, operadora da Telemar, surge para disputar um mercado de 96 milhões de pessoas, em 16 Estados brasileiros. ?O aumento dos investimentos e do número de jogadores beneficiará os usuários?, analisa o presidente da operadora, Luiz Eduardo Falco. ?Será um ano fundamental.?

Por outro lado, Freire prevê um processo de fusões e aquisições em 2003, ainda que com as restrições impostas pela Anatel e pelo Conselho de Defesa da Atividade Econômica. Na mira dos poucos grupos que devem sobreviver à guerra estão as empresas-espelho. Logo elas que, após o fim do monopólio das teles, foram a esperança de concorrência imediata.

Na visão dos empresários, a oportunidade em 2002 é a de um salto qualitativo na redefinição do mercado. ?Os serviços locais eram a peça que faltava no nosso quebra-cabeças, para que o cliente seja 100% Embratel?, compara Purificación Carpinteyro. Do ponto de vista do governo, a chance é de mais competição no setor de telecomunicações ? e melhores serviços. Em 2000, sempre é bom lembrar, enquanto o PIB brasileiro cresceu 4,36%, o setor deu um salto de 16,5%. Os ventos das teles ainda sopram na direção do crescimento.