15/06/2005 - 7:00
A americana Procter & Gamble (P&G) é o que se pode chamar de empresa de 1001 utilidades. Fabrica sabão em pó (Ariel, Ace), produz a refinada pasta de dentes Crest e a sofisticada fralda de bebês Pampers. Também é dona da Gillette e faz as famosas batatas Pringles. Agora, quando se imaginava que a empresa já dispunha de produtos suficientes para ocupar boa parte do tempo de seus executivos, ela mira seus canhões em um dos setores mais promissores no Brasil: remédios que não precisam de receita médica, conhecidos também como OTC. Segundo o IMS Health, que audita globalmente a indústria farmacêutica, a P&G foi a segunda companhia que mais cresceu nesse mercado em 2004. A ofensiva de agora é mais do que oportuna. O segmento de OTC vive um momento de ouro no Brasil. No ano passado, por exemplo, aumentou seu faturamento em 19%, fechando em US$ 1,6 bilhão. O montante já garante ao setor uma participação de quase 24% no total das vendas da indústria farmacêutica nacional, que movimentou US$ 6,8 bilhões. Mais: as drogas de livre comércio foram fundamentais para ajudar no aumento de 21% das vendas dos laboratórios como um todo entre 2004 e 2003. Só isso, portanto, já seria suficiente para chamar a atenção da multinacional. Mas há outro importante detalhe. Nos últimos anos, muitos xaropes, antiinflamatórios e anti-térmicos foram liberados da exigência de prescrição pela autoridade sanitária local, a Anvisa. Era o que a P&G precisava ouvir para aumentar investimentos no País e elevar a participação dos remédios na sua eclética cesta de produtos de consumo.
Com o sinal verde da matriz ficou fácil identificar o melhor soldado para promover o crescimento em OTC no Brasil: o tradicionalíssimo Vick. Herdada em 1985, quando a gigante arrematou globalmente a Richardson-Vicks, a marca cresce a cada ano por aqui. ?Ela é fundamental. Foi ela que nos fez considerar o Brasil estratégico em antigripais e hoje é a nossa marca mais importante na farmacêutica local?, diz Pedro Silva, diretor de relações externas da companhia, que faturou R$ 1,5 bilhão no Brasil. A parte que cabe aos fármacos não é revelada, mas o executivo dá uma idéia. É semelhante à fatia global, que representa 13% das receitas totais (hoje, na casa dos US$ 52 bilhões).
Colocado no mesmo patamar de importância de Crest, Ace ou Pampers, o Vick tem demonstrado fôlego de gente grande. Foi ele o grande responsável pela mais recente façanha da empresa no País. Segundo o IMS-Health, que audita globalmente a indústria farmacêutica, a P&G foi a segunda companhia que mais cresceu no mercado OTC nacional em 2004. ?Nos últimos quatro anos, temos sempre trazido novidades na linha OTC. O Vick, claro, é o principal beneficiado disso?, afirma o executivo. No ano passado, a Procter lançou o xarope Vick Mel e recentemente lançou o Vick Diatyl. De novidade em novidade, o guarda-chuva já tem nove produtos e, segundo Silva, deverá crescer no futuro. Ele só não revela os tais planos de crescimento. ?Em 2004, investimos R$ 31 milhões em marketing. Para 2005, a verba é de R$ 40,3 milhões?, avisa o diretor. A meta da empresa é conquistar, já neste ano, a liderança no setor de antigripais, que movimenta US$ 300 milhões — 19% do mercado de OTC. É um dos segmentos mais promissores dos remédios sem prescrição médica. Difícil mesmo é rotular a nova Procter&Gamble. Seria uma prima da Unilever, já que está no mercado de higiene pessoal e até alimentos, ou estaria mais próxima da Johnson&Johnson, por conta dos medicamentos? A melhor definição talvez seja a do diretor Silva: ?Somos uma empresa de consumo?. ![]()
US$ 1,6 bilhão é o tamanho do mercado brasileiro de remédios sem prescrição médica