24/08/2020 - 13:14
A tempestade tropical Laura, que pode se tornar furacão na terça-feira, passou nesta segunda (24) pela área central de Cuba depois de causar pelo menos 13 mortes no Haiti e na República Dominicana, enquanto avança rumo aos Estados Unidos, que já está sob ameaça do ciclone enfraquecido Marco.
Laura provoca chuvas e penetrações no mar no território cubano, sem grandes danos relatados, embora ainda ameace adiantar as previsões e subir à categoria de furacão antes de deixar a ilha.
“Tem variado muito pouco sua intensidade, se mantém nos 100 km por hora (de ventos sustentados), é uma tempestade tropical, e variou pouco seu rumo e sua capacidade de passagem”, disse à TV estatal o meteorologista Elier Pila.
Se desloca a uma velocidade de 33 km por hora, o que lhe dá pouco tempo para se alimentar das altas temperaturas do mar, “um fator pouco favorável para seu desenvolvimento e, em termos de impactos, favorável para nós”, acrescentou Pila.
Mais cedo, seu colega José Rubiera avaliou a possibilidade de Laura se tornar um furacão antes do esperado. “Está agora a 100 km por hora e um furacão de categoria 1 seria 119 km por hora”, acrescentou Rubiera.
No Haiti, Laura deixou no domingo um saldo de nove mortos e dois desaparecidos.
Na República Dominicana, com a qual o Haiti compartilha a ilha Hispaniola, Laura deixou quatro mortos.
Até o momento, estima-se que ganhe força apenas quando entrar no Golfo do México, rumo aos Estados Unidos. “Depois que passar por Cuba é praticamente certo, quando entrar no Golfo de México, que já será um furacão”, continuou Rubiera.
Essa previsão coincide com a do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), que prevê que Laura se torne furacão entre terça e quarta-feira e alcance o litoral dos EUA.
Enquanto isso, o furacão Marco perdeu força e foi rebaixado para tempestade na noite de domingo, produzindo “chuvas fortes e rajadas de vento ao longo de setores da costa norte do Golfo” do México, segundo o NHC.
É esperado na costa sudeste de Louisiana no final desta segunda-feira, onde deve perder ainda mais intensidade, se transformando em uma depressão tropical.
– A trajetória-
O centro da tempestade passou por Santiago de Cuba, atravessou o Granma para sair no golfo de Guacanayabo, e agora se desloca pelo mar, ao sul de Sancti Spiritus, em paralelo à costa sul do centro do país.
“Há calor suficiente por lá (durante o contato com o mar) para que possa se intensificar um pouco mais, mas é gradual”, explicou Rubiera.
Sua passagem deixa chuvas, tempestades e enchentes costeiras, embora nenhum dano humano tenha sido oficialmente relatado.
Os ventos atingiram alguns telhados de zinco, alguns imóveis e causaram a queda de árvores e postes, segundo informações das autoridades provinciais e relatos da imprensa das províncias.
O centro da tempestade deve se aproximar do oeste de Cuba na tarde-noite de segunda-feira, para cruzar brevemente a ilha de sul a norte e voltar para o mar na madrugada de terça-feira, possivelmente através de Pinar del Rio (extremo oeste), rumo ao noroeste, segundo a previsão.
Os ventos e chuvas associados ao ciclone também afetariam a capital Havana no último trecho, antes de se distanciar de Cuba.
– Evacuações preventivas-
As chuvas de Laura já castigaram as regiões de Guantánamo e Santiago de Cuba, no leste do país. O ciclone causou rajadas de até 146 km por hora e ondas de mais de 3 metros na cidade de Maisi, no extremo oriente da ilha.
Entre Guantánamo, Santiago de Cuba, Granma e Camagüey, cerca de 160.000 pessoas foram evacuadas preventivamente, de acordo com relatos das autoridades provinciais. Também houve evacuações menores na província de Las Tunas e Ciego de Ávila.
À medida em que Laura se aproxima do ocidente de Cuba, os trabalhos de proteção da população se complicam, porque esta é a área mais afetada pelo ressurgimento da pandemia de COVID-19, especialmente em Havana, seu atual epicentro.
Cuba ainda mantém a pandemia sob controle, com 3.717 casos registrados até domingo e 91 mortos.
Devido às passagens de Laura e Marco, 114 plataformas de petróleo do Golfo do México foram evacuadas.
A temporada de tempestades no Atlântico, que vai até novembro, pode ser especialmente severa neste ano. O Centro Nacional de Furacões dos EUA espera 25 e Laura é a décima segunda até agora.
