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Marcos Valério: Calva raspada como símbolo de um país tomado por caras-de-pau

 

Em 2005 o Brasil mostrou a sua cara. A crise que tomou o País de assalto e desembocou no espetáculo duvidoso das CPIs fez desfilar, diante dos brasileiros, uma multidão de rostos novos, envolvidos em um jogo intrincado de verdades e mentiras. Foi o ano em que a calva raspada de Marcos Valério, que ilustra esta página, tornou-se uma espécie de marca registrada, sinal de tempos nos quais a ideologia foi trocada pela esperteza. Este foi o ano de Delúbio Soares, o afável tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, que descobriu seu talento para evadir a verdade e repetir meias mentiras por horas a fio. Foi também o ano em que o deputado e ministro José Dirceu, ícone da esquerda e avatar do governo Lula, definhou até perder o cargo e o mandato, tornando-se um brasileiro a mais em busca de futuro. Mas 2005 foi, acima de tudo, o ano em que o governo do PT quebrou a cara: conspurcou-se, dividiu-se, caiu feio nas pesquisas eleitorais, rejeitado pelos mesmos critérios de honestidade que o haviam colocado no poder. Foi o ano em que muitos brasileiros mostraram cara de pau em horário nobre. Foi o ano, enfim, em que se percebeu a necessidade de dar uma nova cara à vida pública brasileira. É por isso que ao contar a história deste ano, DINHEIRO resolveu fazê-lo através de seus grandes personagens, os homens e mulheres cujas fisionomias marcaram esses doze meses turbulentos. Nas páginas que seguem, os leitores verão a expressão de desconforto do presidente Lula. Se lembrarão do semblante farsesco de Roberto Jefferson. Acompanharão os altos e baixos do ministro Palocci, vitimado pelo encolhimento do PIB e pelo transbordamento do seu passado em Ribeirão Preto. Enfim, que a leitura dessa retrospectiva ajude os nossos leitores a olhar nos olhos do País e enxergar, no passado recente, os contornos do seu futuro.