22/10/2016 - 16:13
Mais de 8.000 migrantes foram socorridos esta semana na costa da Líbia e, neste sábado (22), o navio norueguês “Siem Pilot” tentava ajudar as lanchas improvisadas à deriva, sobrecarregadas de pessoas procedentes da África.
Neste sábado, mais de um milhão de migrantes foram resgatados em difíceis operações, segundo um balanço provisório da Guarda Costeira italiana.
Antes do amanhecer, pelo menos dez pessoas, incluindo quatro crianças, desapareceram quando inúmeros migrantes caíram de uma lancha que afundava.
Durante o dia, foram encontrados nove corpos sem vida em outra embarcação, mas ainda não se sabe a causa das mortes. Afogamento, asfixia, queimaduras, hipotermia, desidratação e exaustão estão entre as mais prováveis.
O ataque de um navio da Guarda Costeira líbia contra uma lancha de migrantes neste sábado provocou, de forma dramática, perguntas sobre a estratégia europeia de colaborar com as autoridades marítimas líbias.
A tripulação do “Siem Pilot”, que patrulha a região sob mandato da agência europeia Frontex, deu abrigo a quase mil migrantes, exaustos e nervosos em sua maioria. Eles foram socorridos por um petroleiro na sexta-feira (21).
O mesmo petroleiro teve de acolher, às vezes em péssimas condições, outras centenas de migrantes que chegaram ao local neste sábado, a bordo de mais embarcações improvisadas.
“Nunca vi uma operação de socorro assim”, disse o comandante da Polícia Pal Erik Teigen, que coordena as operações, a uma equipe da AFP a bordo do “Siem Pilot”.
O mar calmo durante toda a semana favoreceu a saída dos migrantes a partir da costa líbia. As equipes de emergência acreditam que será batido o recorde de chegadas para o mês de outubro, com 20.000 pessoas resgatadas.
A situação é cada vez mais difícil para a Itália que, após o fechamento das fronteiras dos países do norte, deve receber em seu território boa parte dos migrantes.
Na sexta-feira (21), os ministros do Interior do “G6” afirmaram que a repatriação dos imigrantes em situação ilegal que não recebem asilo é “um elemento fundamental” da política europeia de fluxos migratórios.
A luta contra os traficantes líbios representa outro eixo, mas a operação naval Sophia iniciada em 2015 ainda não apresentou resultados satisfatórios.
A União Europeia pretende agora treinar e equipar a Guarda Costeira líbia para ajudar no esforço.
O início da formação está previsto para o fim de outubro. Primeiro, o bloco deseja assegurar que os 80 candidatos, que depois serão instrutores, são leais ao governo de união e não estão envolvidos em casos de corrupção.
“Na Líbia é muito difícil saber quem faz o que”, disse o porta-voz da ONG alemã Sea-Watch, Ruben Neuegebauer.
“Nunca se sabe em que mãos terminará o material”, acrescentou.
Na sexta à noite, ativistas da Sea-Watch que distribuíam coletes salva-vidas a 150 passageiros de uma lancha observaram o momento em que agentes da Guarda Costeira líbia agrediram os migrantes.
A violência dos agentes, que pretendiam recuperar o motor, provocou um movimento de pânico e a queda na água da maioria dos migrantes. Apenas 120 foram resgatados.
As ONGs afirmam que bloquear os migrantes na Líbia os expõe a situações dramáticas. Os médicos citam a saúde frágil e as marcas de torturas nas pessoas resgatadas.
“Fiquei preso na Líbia durante três meses”, contou na manhã deste sábado um guineano de 33 anos a voluntários do barco “Aquarius” das ONGs SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras.