O exército ucraniano vigiava atentamente neste domingo o cumprindo de uma trégua com os separatistas pró-russos no leste do país, pouco antes de uma retirada de combatentes das duas partes que irá permitir a criação de uma zona desmilitarizada.

As partes em conflito iniciaram no sábado, às 18H00 (12H00 no horário de Brasília), um período de 24 horas em que devem respeitar escrupulosamente o cessar-fogo para iniciar uma retirada gradual de seus combatentes.

No entanto, neste domingo, explosões foram ouvidas por volta das dez horas da manhã (4h00 de Brasília) no centro de Donetsk, a principal cidade no leste da Ucrânia nas mãos dos separatistas, segundo a prefeitura local.

A mesma fonte disse sábado à tarde que um civil havia sido morto por um morteiro lançado contra sua residência.

Por sua vez, o exército ucraniano indicou neste domingo que vários “grupos armados fora do controle” estavam atirando contra as suas posições, sem causar vítimas. No sábado, as forças armadas indicaram a morte de um de seus agente nas 24 horas anteriores.

Apesar desses incidentes, a violência está longe da intensidade que ainda prevalecia na semana passada antes do último acorde de Minsk.

Desde então, pelo menos 44 civis e soldados morreram, de acordo com uma contagem da AFP. Desde o início do conflito em abril, cerca de 3.200 pessoas foram mortas, segundo a ONU.

Em 20 de setembro, Kiev, Moscou, os separatistas pró-russos e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) assinaram um acordo provisório em Minsk que prevê a retirada das armas pesadas a ao menos 15 km da linha de frente, o que dará lugar a uma zona tampão de 30 km de extensão.

Em virtude deste acordo, fica proibido sobrevoar a região, e todos os combatentes estrangeiros devem partir da Ucrânia.

Uma vez respeitada a trégua de 24 horas, “os observadores, que estão quase prontos, irão” para a zona tampão, segundo o general russo Alexander Lentsov, negociador-chefe de Moscou.

“Nós identificamos os setores em que eles irão trabalhar, em ambos os lados da linha divisória”, explicou ao canal de televisão Ukrayina o general russo.

Na área haverá observadores ucranianos, russos, da OSCE e dos separatistas, acrescentou.

Enquanto a situação é estável no terreno, politicamente este não é o caso.

Os separatistas, que controlam uma área de cerca de 230 km ao longo da fronteira com a Rússia, rejeitaram a proposta de Kiev de conceder à região um “estatuto especial”. A área representa 3% do território ucraniano, e 9% de sua população.