O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal  Federal (STF), liberou nesta sexta-feira (19) para o plenário o processo  contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para que o caso  seja incluído na pauta e o julgamento seja marcado, o que cabe ao  ministro presidente, Ricardo Lewandowski, a defesa do parlamentar deverá  ainda ser intimada.

Cunha é investigado em dois  inquéritos no STF no âmbito da Operação Lava Jato e foi denunciado em  agosto do ano passado pela Procuradoria-Geral da República por suspeita  de recebimento de propina em contratos de compras de navios-sonda da  Petrobras. De acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,  Cunha recebeu US$ 5 milhões de um contrato da petroleira entre 2006 e  2007. O peemedebista nega as acusações.

Neste mesmo  processo, a ex-deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ), atual  prefeita do município fluminense de Rio Bonito, também foi denunciada  por suspeita de usar o cargo na Câmara dos Deputados para atender aos  interesses de Cunha no esquema de corrupção da estatal. Na defesa da  ex-parlamentar ao STF, seus advogados acusam Janot de fazer ilações para  justificar a ligação de Solange com Cunha.

Renan

A  liberação da denúncia contra Cunha para o plenário do Supremo ocorre no  mesmo dia em que o ministro Luiz Edson Fachin decidiu retirar da pauta  de julgamentos a denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros  (PMDB). A decisão do ministro foi tomada após a defesa do peemedebista  encaminhar uma petição alegando que há uma falha processual que pode  afetar o julgamento pelo plenário.

No Planalto, havia a  preocupação de que o processo contra Renan, aliado importante, fosse  julgado antes do de Cunha, já que foi liberado primeiro, em 3 de  fevereiro. As decisões dos dois ministros tomadas nesta sexta afastam do  governo tal preocupação.