29/11/2025 - 13:00
Uma ideia de fazer azeite para consumo de família e amigos acabou mudando a história do azeite produzido no Brasil. Criada em 2002 e com produtos lançados comercialmente desde 2019, a Estância das Oliveiras se tornou a terceira marca de azeites mais premiada do mundo, de acordo com o EVOO World Ranking 2025.
Depois de viajar por vários países provando azeites de primeira qualidade, Lucídio Goelzer resolveu começar a própria produção, focada no consumo doméstico, na cidade de Viamão (RS), na grande Porto Alegre.
“Se alguém me dissesse, há 25 anos, quando plantei as primeiras oliveiras para ter um azeite honesto na mesa da família, que um dia estaríamos no pódio mundial, seria muito difícil de acreditar”, afirma Lucídio Goelzer.
Apesar do sucesso, a estrutura da empresa segue sendo familiar: o fundador Lucídio continua à frente da companhia. O filho mais velho, André Sittoni Goelzer, atua como mestre de lagar e avaliador internacional de azeites; o segundo filho, Rafael Sittoni Goelzer, cuida das relações com o mercado; o filho mais novo, Lucas, cuida da parte financeira; e a esposa de Lucídio, Sônia, cuida da parte do olivoturismo.
O EVOO World Ranking premia as marcas que mais venceram prêmios durante o ano. Entre as marcas do mundo inteiro, a brasileira ficou na terceira colocação. Entre os 10 melhores azeites brasileiros, a empresa lidera com 7.
Outras quatro marcas brasileiras aparecem entre as 50 melhores: Azeite Mantikir (14ª), Al Zait (39ª), Azeite Sabiá (48ª) e Prosperato (50ª).

Prêmios ‘por acaso’
A entrada nas premiações mundiais aconteceu por acaso. O desejo da família era ter um laudo técnico da qualidade do azeite e como isso era muito caro, a saída foi inscrever os azeites produzidos pela família em concursos internacionais.
“A nossa percepção era de que o azeite produzido tinha uma qualidade superior, mas era uma análise passional e descobrimos que uma análise técnica independente era muito cara. A saída foi inscrever nossos azeites em prêmios para termos essa análise sem custos. Na primeira oportunidade, em 2022, nós já fomos premiados”, contou Rafael Sittoni Goelzer, filho de Lucídio e diretor da companhia.
A companhia esteve presente no Top 10 do ranking em três edições: 2023, na 9ª colocação; em 2024, na 5ª, e finalmente chegando ao pódio em 2025.

Visitas guiadas e 500 casamentos nos olivais
Desde 2020, quando lançou o primeiro azeite comercial, a Estância das Oliveiras também aposta no oliviturismo. Gerenciados por Sônia, mãe de Rafael, os passeios pelo local são visto como um “grande potencial econômico” em termos de turismo com agregação de valor, comparado com o enoturismo (turismo do vinho) de 30 anos atrás. Rafael destaca que há negociações para mais de 500 casamentos no local para os próximos três anos e que também há um cronograma regular de visitas com shows de música e jantares típicos.
“Todas as visitas incluem, sem custo adicional, um tour guiado de mais de uma hora pela propriedade. O percurso passa pelos olivais e pelo lagar, permitindo a visualização do processo de produção. O objetivo é combater a desinformação, já que muitas pessoas desconhecem a vida da olivicultura”, contou.
6.500 pés de azeitona
O que começou com 1.000 árvores, hoje atingiu 6.500 pés de azeitona. A produção em garrafas de 250 ml também vem crescendo ano após ano: 9 mil em 2024 e estimativa de 25 mil para 2025.
Rafael explica que a produção prioriza qualidade ao invés da quantidade, por isso realiza colheitas precoces das azeitonas, o que gera perda na quantidade final do produto.
“Se a colheita fosse realizada com a azeitona madura, a gente poderia ter 50% a mais de azeite, mas optamos por colher antes da hora para amplificar as notas de sabor”, encerrou.
