Com o lançamento do Tesouro Reserva, o Tesouro Direto colocou na prateleira o seu primeiro ativo que pode ser negociado a qualquer momento em qualquer dia. Apesar de ser um pontapé inicial, o Tesouro ainda não possui no pipeline o aumento de flexibilidade de outros ativos.

+Desenrola 2.0: veja os canais de atendimento dos bancos para renegociar dívidas

+Como o PT explora a operação da PF contra Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro

“Isso é uma decisão que talvez vai ser tomada mais para frente. Por quê? O Tesouro Reserva tem uma característica que ajuda a você não prejudicar o investidor quando o mercado está fechado. No Tesouro Reserva você já sabe quanto você vai receber, ele atualiza pela variação da taxa Selic, então ele não tem variação ou flutuação de mercado, todos os outros títulos vão ter”, explica Daniel Leal, secretário do Tesouro Nacional.

“Acho que o 24 horas ele tem que estar muito ligado à reserva de emergência. Qualquer outra coisa, é melhor ele [investidor] ter o preço justo e saber quanto ele vai levar, em vez de resgatar rapidamente para tomar um prejuízo no dia comercial. Então acho que é uma coisa que a gente pode estudar para ver como fazer, se há algum desenho possível, mas em princípio acho que cabe muito para o Tesouro Reserva, talvez nem tanto para os outros ativos”, completa.

Leal ainda acrescentou que o produto, lançado em parceria com a B3 e o Banco do Brasil, terá como um dos focos ‘aumentar o estoque e a quantidade de investidores’.

“Agora as pessoas vão entender que com isso elas podem investir com apenas R$ 1, por que em um outro momento eles entendiam que o Tesouro não era para elas. Com um título voltado para a reserva de emergência, vai ampliar esse público e atingir uma população maior”, diz Leal.

O órgão federal não divulgou uma projeção específica de quantos investidores o novo produto deve trazer para a base.

Os dados do Balanço do Tesouro Direto de março de 2026 mostram que o número de investidores cadastrados chegou a 35,09 milhões, crescimento de 9,8% em 12 meses.

Entretanto, apenas 3,41 milhões têm dinheiro efetivamente aplicado, ou seja, menos de 10% do total de cadastrados de fato faz aportes e movimentações em títulos do Tesouro Direto.

Em março, o número de ativos caiu 38.986 em relação a fevereiro.

As vendas totais bateram R$ 14,79 bilhões, o maior valor da série histórica, em 1,22 milhão de operações. O valor médio por operação foi de R$ 12.083. Ao mesmo tempo, 45,6% das transações foram de até R$ 1 mil.

Sobre a exclusividade do Tesouro Reserva com o Banco do Brasil

Lançado em parceria com o BB, o Tesouro Reserva está disponível apenas para os clientes do banco. Na prática, somente os 80 milhões de correntistas do banco podem negociar o papel – entretanto não há uma trava regulatória que impeça novos players de oferecerem o produto futuramente.

Secretário do Tesouro Nacional não detalhou nomes nem prazos, mas declarou que ‘alguns dos principais bancos’ já começaram a demonstrar interesse no produto, e que o Tesouro mantém conversa com todos do ramo.

“Eles tem que fazer a parte do desenvolvimento, então isso demora algum tempo, mas o Tesouro está sempre aberto para acelerar”, diz Leal.

Como funciona o Tesouro Reserva

As negociações iniciaram nesta segunda-feira, 11, ou seja, o produto já está disponível para compras na plataforma do BB.

O papel é atrelado à taxa Selic e é voltado para o público que mira uma alocação de reserva de emergência.

A aplicação mínima é de R$ 1, e o teto é de R$ 500 mil por mês por investidor. Para os resgates, entretanto, não há valor de piso nem de teto.

Em um primeiro momento, apenas correntistas do Banco do Brasil poderão realizar aportes no título. No total serão 80 milhões de clientes da instituição financeira que poderão comprar o papel.

O rendimento do título é indexado à taxa básica de juros, a Selic. A taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). Atualmente a taxa é de 14,50%.

Diferentemente do Tesouro Selic, a marcação é na curva, e não a mercado. A marcação na curva reflete o preço de aquisição acrescido de juros contados dia a dia, como se você fosse carregar o papel até sua data de vencimento.