Com uma base que já chegou a R$ 40 bilhões, dobrando a cifra registrada um ano antes, o Banco do Brasil estima crescer ainda mais no Tesouro Direto. Isso, dado que a instituição acabou de acrescentar um produto voltado para reserva de emergência que, a priori, é exclusivo.

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O Tesouro Reserva funcionará 24h, 7 dias por semana, e permite aportes a partir de R$ 1, com rendimentos atrelados à taxa Selic.

Francisco Lassalvia, vice-presidente de Negócios de Atacado do Banco do Brasil, comenta que o movimento pode aumentar a principalidade do banco dentre investidores pessoa física, que agora podem ter predileção pelo produto na hora de alocar sua reserva de emergência.

“Quando eu lanço um produto e ele é exclusivo, possivelmente eu tenho mais atenção de um cliente que, por vezes opera no Banco do Brasil e opera em outro banco. Às vezes é um cliente que tem conta no Banco do Brasil e tem conta em outro banco. Eu posso ter sim uma migração de recurso de outro banco para cá, que pra gente é importante dentro de um recurso de principalidade”, disse o VP do BB durante entrevista à jornalistas no evento de lançamento do Tesouro Reserva, nesta segunda-feira, 11.

O executivo defende que o BB quer ser um ‘banco de relacionamento, não de oportunidade’, e focar em aumentar a fidelização dos clientes que já estão na base – e por consequência a rentabilidade da companhia.

“De fato, qual é a nossa missão? É fazer com que aqueles clientes que estejam dentro da base do banco, os que operam e que não operam, entendam a lógica da democratização do investimentos. Da mesma forma que o Brasil não tem 30% de pessoas investindo, nós temos isso dentro da nossa base também.”

Atualmente o BB é a 4º plataforma do país com maior número de transações do Tesouro Direto, conforme os dados mais recentes do órgão. O pódio fica com Nubank, XP e Inter, nessa sequência.

Em março de 2026, o estoque total do Tesouro Direto fechou em R$ 234,4 bilhões, representando um aumento de 3,3% em relação ao mês anterior (R$ 226,9 bilhões) e de 42% sobre março de 2025 (R$ 165,1 bilhões).

O total de investidores ativos (com saldo aplicado) em março de 2026 foi de 3.418.225 pessoas, sendo que ao longo de 2025 foram cadastrados 3.213.100 novos investidores, elevando o total de cadastrados no programa para mais de 34 milhões de pessoas, um incremento de 10,35% em relação ao final de 2024.

Exclusividade com Banco do Brasil não será permanente

Embora o produto tenha sido desenvolvido em parceria com o Banco do Brasil e só esteja nas prateleiras da instituição no momento atual, não existe nenhuma trava regulatória ou contratual que impeça outros bancos de ofertarem o título em um futuro breve.

“Essa exclusividade ela é momentânea. Esse produto foi desenvolvido dentro da plataforma do banco, ele não é excludente e ele pode ter outros participantes no longo prazo. Cada banco tem que entender a sua importância e se entende que esse é um produto bom para sua prateleira – nós entendemos que sim”, disse Lassalvia.

O Secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, não detalhou nomes nem prazos para, mas declarou que ‘alguns dos principais bancos’ já começaram a demonstrar interesse no produto, e que o Tesouro mantém conversa com todos do ramo.

“Eles tem que fazer a parte do desenvolvimento, então isso demora algum tempo, mas o Tesouro está sempre aberto para acelerar”, disse.

Como funciona o Tesouro Reserva

As negociações iniciaram nesta segunda-feira, 11, ou seja, o produto já está disponível para compras na plataforma do BB.

O papel é atrelado à taxa Selic e é voltado para o público que mira uma alocação de reserva de emergência.

A aplicação mínima é de R$ 1, e o teto é de R$ 500 mil por mês por investidor. Para os resgates, entretanto, não há valor de piso nem de teto.

Em um primeiro momento, apenas correntistas do Banco do Brasil poderão realizar aportes no título. No total serão 80 milhões de clientes da instituição financeira que poderão comprar o papel.

O rendimento do título é indexado à taxa básica de juros, a Selic. A taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). Atualmente a taxa é de 14,50%.

Diferentemente do Tesouro Selic, a marcação é na curva, e não a mercado. A marcação na curva reflete o preço de aquisição acrescido de juros contados dia a dia, como se você fosse carregar o papel até sua data de vencimento.