27/01/2026 - 12:16
As vendas do Tesouro Direto bateram recorde em 2025, com um total de R$ 89,3 bilhões investidos, um aumento de 31,5% em relação a 2024 (R$ 67,9 bilhões). Foram 10,6 milhões de operações, o que representa um aumento de 15,2% em relação às 9,2 milhões registradas no recorde anterior, em 2024. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira, 27.
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O dado foi consolidado após a divulgação dos números de dezembro, quando ocorreu o segundo maior valor de investimentos já feitos em um único mês. O valor acumulado, de R$ 9,48 bilhões, ficou atrás apenas dos R$ 11,69 bilhões registrados em março de 2025. O número de 1.196.655 operações também foi o segundo maior para um mês na série histórica.
Em relação ao estoque, o programa Tesouro Direto fechou o ano em R$ 213,2 bilhões. O valor é 3,8% maior do que o registrado no mês anterior (R$ 205,4 bilhões) e 35,9% superior ao dado de dezembro de 2024 (R$ 156,9 bilhões).
Juros altos impulsionam Tesouro Direto
O recorde ocorre em meio a uma alta da taxa básica de juros. Em maio de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 15%, seu maior patamar desde 2006.
Os títulos vinculados à Selic foram justamente os campeões de procura no mês, com R$ 4,9 bilhões em vendas (51,5% do total). Em seguida, aparecem os indexados à inflação com R$ 3,4 bilhões (36% das vendas) e, por fim, os prefixados, com R$ 1,2 bilhão em vendas (12,5% do total).
A alta dos juros no entanto impacta a remuneração de todos os papéis. “O ambiente de juros elevados oferece remuneração atrativa para títulos públicos, tanto prefixados quanto atrelados à inflação, o que tem reforçado a preferência por títulos de renda fixa diante da menor previsibilidade em ações e crédito privado”, afirma o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos. Lima afirma que os retornos alcançaram “prêmios reais acima de níveis que não se viam há meses”.
Ao se observar o estoque, os títulos remunerados por índices de preços são os preferidos, somando R$ 107 bilhões, ou 50,2% do total. Em seguida, aparecem os títulos indexados à taxa Selic, totalizando R$ 79,3 bilhões (37,2%), e, por fim, os títulos prefixados, que somaram R$ 26,9 bilhões, com 12,6% do total.
2026 pode trazer novos recordes
Na visão de Sidney Lima, o programa Tesouro Direto seguirá atrativo neste novo ano. “A expectativa de continuidade de taxas elevadas em títulos públicos deve continuar a exercer atratividade, mesmo que eventuais quedas na Selic reduzam gradualmente os prêmios”, diz.
“Mesmo que o Banco Central diminuiu a taxa de juros. Vai continuar sendo uma das aplicações mais rentáveis do mercado”, concorda Odilon Guedes, conselheiro federal do Cofecon (Conselho Federal de Economia).
“A crescente procura por esses títulos é uma tendência persistente, influenciada também por fatores políticos, como a perspectiva eleitoral e as políticas a serem adotadas, com atenção especial ao período até 2027”, adiciona o economista Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP (Consellho Regional de Economia de São Paulo).
