18/03/2026 - 7:00
Nesta quarta-feira, 18, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, decide sobre o patamar da taxa básica de juros do Brasil – e depois de 2 anos, pode voltar baixar a Selic. Essa possível mudança impacta diretamente os investimentos, e principalmente os ativos de renda fixa, como os títulos do Tesouro Direto.
Há dúvidas, no entanto, sobre qual será a magnitude desse movimento. Atualmente, a maior parte do mercado projeta uma queda de 0,25 ponto porcentual, mas ainda há quem espere uma redução de 0,50 p.p.
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“Antes da mais recente guerra no Oriente Médio, era consenso entre os especialistas do mercado financeiro que o Banco Central iniciaria o corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom. O fato é que, em função dos conflitos, a insegurança provocada por ele e a oscilação dos preços do petróleo e cotação do dólar, os técnicos do Copom podem optar por uma medida mais cautelosa”, aponta Paula Sauer, professora da FIA Business School.
A maior preocupação, de acordo com a professora da FIA, é em relação ao preço do petróleo, que disparou de valores e entre US$ 66 e US$ 72 por barril para o petróleo de referência internacional Brent para mais de US$ 100 o barril.
“O aumento do preço do petróleo leva ao aumento de preços em cadeia, combustíveis, fertilizantes, custo de transportes (que é na maioria das vezes repassado ao consumidor final), alimentos entre outros preços que sofrem com o aumento do custo de produção. E pronto! Temos um risco de inflação”, alerta Sauer.
Queda da Selic e os investimentos
Segundo Paula Sauer, o mercado de uma maneira geral “já contava com essa redução da taxa de juros, e muitos títulos já estão precificados a partir desse novo cenário”. No entanto, ela afirma que a taxa de juros brasileira ainda é extremamente atraente, considerada uma das mais altas do planeta.
“Caso a queda na taxa de juros se concretize, temos uma valorização dos títulos já emitidos que pagam taxas mais altas. Isso gera ganhos pela marcação a mercado, especialmente em prefixados, que ganham com a queda da taxa, e os títulos atrelados ao IPCA+, que ganham também com o aumento da inflação”, explica a professora.
Para Sauer, isso acontece, uma vez concretizada a queda nas taxas de juros, porque os novos títulos passam a ser emitidos com taxas menores e retornos progressivamente menores ao longo do tempo, mas ainda extremamente atraentes, “se considerar que podem entregar para o investidor liquidez e um retorno ainda na casa de dois dígitos, pelo menos até o final de 2026”.
De uma maneira geral, a professora da FIA ressalta que, com a queda da taxa de juros, é esperado o seguinte cenário para cada título
Tesouro Selic: Rentabilidade futura cai
Tesouro Prefixado: Tende a valorizar
Tesouro IPCA+: Pode valorizar, dependendo da inflação
“Isso ocorre porque os preços dos títulos são ajustados pela chamada curva de juros. Quando o mercado acredita que os juros cairão, essa curva recua – e os títulos com taxas já fixadas ficam mais valiosos”, ressalta.
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