15/04/2020 - 12:24
A região italiana de Veneto, foco da pandemia de coronavírus junto com Lombardia em fevereiro, optou por realizar testes em grande quantidade em toda a população, conseguindo conter o vírus e registrar muito menos mortos, uma estratégia e um desafio que todo país observa com atenção.
É possível, porém, fornecer e organizar como estratégia nacional a realização de um grande número de testes, como foi feito em Veneto, com apenas 5 milhões de habitantes?
Veneto, cuja capital é Veneza, é também a primeira região que esta semana começou a abrir suas atividades econômicas, embora com muita timidez. A poderosa vizinha Lombardia ainda mantém um rígido confinamento.
Na grande região industrializada da Lombardia, motor econômico do país, foram registradas 11.142 mortes (mais de 1.100 óbitos por milhão de habitantes) até o momento, contra 906 em Veneto (184 por milhão).
A diferença é explicada em parte pela “maior densidade populacional” da Lombardia e pelo “maior número de casos quando o surto eclodiu”, destaca a Harvard Business School (HBS).
“Mas é evidente que as duas decisões diferentes de saúde pública, tomadas no início do ciclo pandêmico, tiveram um impacto distinto”, afirmam os especialistas americanos em um artigo publicado no final de março.
A recomendação de um grupo de cientistas na região de Veneto foi estabelecer rapidamente uma “zona vermelha” para isolar as áreas mais afetadas, mas também realizar um estudo epidemiológico da população, submetendo-a a testes.
Os que testaram positivo foram imediatamente colocados em quarentena. Esse método foi aplicado a toda região, cujas autoridades realizaram testes não apenas em pacientes com sintomas, mas também naqueles com poucos, ou nenhum sintoma, capazes de transmitir o vírus sem saber.
– Milhões de testes para diagnóstico –
Em Veneto, quando uma pessoa testa positivo, todos os membros da casa e vizinhos são avaliados. Segundo dados oficiais, foram realizados 208.879 testes nessa região na terça-feira, ou seja, 20% dos testes realizados em todo país.
É possível estender essa estratégia para grandes áreas?
“Sou cético”, admite em conversa com à AFP Davide Manca, do Instituto Politécnico de Milão.
“As pessoas precisam ser testadas a cada duas semanas para que o método tenha sentido”, acrescenta. Levaria pelo menos seis meses para avaliar toda população de Lombardia.
Outra diferença no método escolhido entre as duas regiões foi em relação ao tratamento dos infectados. Em Veneto, foram incentivados a ficarem em casa, enquanto na Lombardia foram internados nos mesmos hospitais onde havia outros tipos de pacientes.
No entanto, apenas um mês após o surto, outras regiões tomaram “medidas semelhantes às de Veneto, pressionando o governo para que os ajude a implementar os testes de diagnóstico”.
As autoridades de saúde italianas anunciaram no sábado a distribuição de 2,5 milhões de testes.
