Depois de jogos de atropelar velhinhas, lutas sangrentas e partidas de futebol, a indústria de games começa a explorar um novo filão: a recriação de eventos históricos. E o début não poderia ser mais polêmico. Na segunda-feira 22, a Traffic Games, da Escócia, lançou JFK Reloaded, jogo de computador que simula o assassinato do presidente John Kennedy. De mouse e teclado nas mãos, qualquer um pode se instalar à janela do sexto andar de um depósito de livros em Dallas e, transformado num Lee Oswald virtual, disparar três vezes contra o conversível que transportava Kennedy naquele 22 de novembro de 1963.

Pontos são somados ou subtraídos de acordo com a pontaria do atirador. Mas quanto mais precisos os disparos, maior a pontuação. E, numa promoção que dura até fevereiro de 2005, o primeiro que acertar os três tiros exatamente como na vida real ganha um prêmio de US$ 100 mil. O download do game custa US$ 9,99.

Um porta-voz do senador Edward Kennedy, irmão do ex-presidente, classificou o game como ?desprezível?. Kirk Ewing, diretor da Traffic, disse que não se trata de uma ?tentativa cínica? de se aproveitar financeiramente de uma tragédia. ?O que nós pretendemos é reacender a paixão pela História.? Há quem duvide que esse tipo de jogo se torne uma nova febre da indústria de games, que movimenta US$ 30 bilhões por ano. ?Os games de sucesso são aqueles em que é possível viver virtualmente o que não se pode na realidade?, avalia Milena Barreto, gerente da filial brasileira da Eletronic Arts, maior desenvolvedora de games do mundo.