21/08/2015 - 21:49
Um homem abriu fogo nesta sexta-feira em um trem de alta velocidade entre Amsterdã e Paris, ferindo duas pessoas, antes de ser dominado por dois militares americanos e preso na estação de Arras (norte da França), em uma ação qualificada de “ataque terrorista” pelo premiê belga, Charles Michel.
O suspeito estaria em uma lista dos serviços de inteligência franceses, segundo fontes policiais. De acordo com os primeiros elementos da investigação, trata-se de um marroquino ou de origem marroquina e teria 26 anos de idade.
A procuradoria antiterrorista de Paris assumiu a investigação, “dada as armas utilizadas, o local e o contexto”.
O estado civil do suspeito ainda está sendo verificado e, se sua identidade for confirmada, este homem constaria numa lista de pessoas com vínculos com o terrorismo.
Ao se manifestar sobre o caso, o premiê belga, Charles Michel, denominou o incidente de “ataque terrorista”.
“Condeno o ataque terrorista em Thalys e declaro minha solidariedade às vítimas”, escreveu Michel em sua conta no Twitter.
Em conversa por telefone, Michel e o presidente francês, François Hollande, concordaram em “colaborar estreitamente” na investigação do caso.
Hollande destacou que “tudo caminha para se esclarecer” os fatos em “estreita colaboração” com Bruxelas.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou de “heroica” a ação de dois militares americanos que dominaram um atirador.
Obama expressou sua “profunda gratidão pela coragem e reação de vários passageiros, incluindo dois membros do Exército americano, que de maneira altruísta dominaram o agressor”.
O presidente elogiou as “ações heroicas” de seus compatriotas, que provavelmente impediram “uma tragédia maior”, destacando que os Estados Unidos mantêm “estreito contato” com as autoridades francesas sobre a investigação do incidente.
Segundo Fabienne Buccio, representante do governo central na região de Pas-de-Calais, “há dois feridos, que não correm risco de morte. “Uma pessoa foi baleada e outra, ferida por arma branca”.
Uma fonte ligada ao caso revelou que a pessoa baleada foi levada de helicóptero para o hospital de Lille, no norte da França. A outra vítima ficou superficialmente ferida no cotovelo por uma lâmina e fraturou um dedo, que foi imobilizado no hospital de Arras.
O comandante William Urban, porta-voz del Pentágono, disse à AFP que um membro do Exército americano ficou ferido durante o incidente.
Segundo a rede de televisão CNN, os dois militares estavam à paisana e agarraram o atirador quando ele carregava um fuzil de assalto Kalachnikov, após ter atirado contra um dos soldados com uma pistola.
O trem, com 554 passageiros, seguia de Amsterdã para Paris, mas o incidente ocorreu no território belga.
O ator francês Jean-Hugues Anglade ficou levemente ferido, segundo indicou à AFP uma testemunha sob a condição de anonimato. A informação foi confirmada pela família do ator. Ele teria se ferido acidentalmente.
O homem foi preso pouco depois das 16h00 GMT (13H00 de Brasília) e posto sob custódia.
O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, denunciou “a violência bárbara de um passageiro” e manifestou sua “gratidão” com os “valentes americanos” que dominaram a situação.
De acordo com a companhia Thalys, subsidiária da SNCF, o serviço ferroviário francês, “às 17H50 (12H50 Brasília) uma pessoa abriu fogo no Thalys 9364 (Amsterdã-Paris) na altura de Oignies (Haute Picardie)”.
“Nós estávamos no trem e percebemos que ele começou a diminuir a velocidade ao se aproximar de Arras. Trinta minutos depois, ele parou completamente. Uma vez na estação, ficamos 15 minutos bloqueados. Em seguida, houve uma mensagem nos dizendo que a polícia estava a caminho”, relataram à AFP Maxime Vialat e Charlotte Bosse, de 20 anos.
Desde os ataques de 7 de janeiro contra a redação da revista satírica Charlie Hebdo e um supermercado kosher em Paris, que matou 17 pessoas, um plano de luta contra o terrorismo foi criado em todos os locais públicos e considerados sensíveis.
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