A 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)  aumentou as penas impostas a quatro oficiais de Justiça da Comarca de  Ribeirão Preto, condenados por corrupção passiva. Os quatro perderam o  cargo.

Um deles deverá cumprir quatro anos e oito meses de  reclusão, em regime inicial semiaberto, além de pagar multa e indenizar  uma vítima em três salários mínimos. Outro pegou dois anos e oito meses  de reclusão, em regime prisional aberto. Os outros dois receberam pena  de dois anos de prisão, em regime aberto, e multa.

As  informações foram divulgadas no site do Tribunal de Justiça. Três  oficiais de Justiça tiveram a pena substituída por duas restritivas de  direitos – prestação de serviços à comunidade, por igual período da pena  de prisão, e prestação pecuniária de dois salários mínimos, em favor de  entidade beneficente sem fins lucrativos.

De acordo com o  processo, os oficiais cobravam propina de autônomos que trabalham para  instituições financeiras, localizando veículos que deveriam ser  apreendidos em virtude da inadimplência dos compradores. Caso o suborno  não fosse pago, os réus atrasavam a expedição da certidão de citação,  sem a qual os localizadores não conseguiam receber das financeiras.

Os  acusados cobravam cerca de R$ 150 por veículo. O esquema foi  desmantelado quando localizadores denunciaram à polícia, que, com  escutas telefônicas e operações de vigilância, conseguiu prender os  suspeitos em flagrante. Um dos condenados foi pego oferecendo vantagens a  outro oficial de Justiça para procrastinar a certificação e, por essa  razão, teve pena maior.

“Com suas condutas, os réus  atentaram gravemente contra os princípios da administração pública,  violando os deveres de honestidade, legalidade e lealdade”, afirmou o  relator do recurso, desembargador Xavier de Souza. A decisão foi  unânime. Participaram do julgamento os desembargadores Ivana David e  Guilherme Strenger.