28/05/2010 - 6:00
O bilionário britânico Philip Green, 58 anos, é conhecido na Inglaterra por seu faro apurado para bons negócios. A fama, obviamente, se deve a sua trajetória. Ele começou a carreira empresarial com pouco mais de 20 anos e um empréstimo de 20 mil libras (cerca de R$ 52 mil), que usou para importar jeans do Oriente e revender na Inglaterra.

Faro apurado: Green (à esq.), dono da Topshop , construiu uma fortuna avaliada em US$ 5,5 bilhões
Aos 27 anos, já capitalizado, comprou todo o estoque de dez grifes que tinham ido à falência por praticar preços muito baixos, mandou para uma lavanderia para se livrar do pó e colocou as roupas lavadas à venda. Foi um sucesso. De lá para cá, já fez de tudo. Virou presidente de uma fabricante de roupas populares, tornou-se investidor profissional e construiu uma fortuna avaliada em 3,8 bilhões de libras (US$ 5,5 bilhões).
Mas, foi em 2002, que Green deu sua grande tacada ao comprar o grupo Arcadia, gigante de varejo do Reino Unido (leia quadro). Agora, seu faro aponta para o Brasil. ?Se você quer criar uma marca global, tem que alcançar novos mercados?, disse Green à agência Bloomberg. Para sua estreia por aqui, ele utilizará uma de suas marcas mais badaladas, a Topshop.

Sucesso entre o público feminino e rival de redes como a espanhola Zara e a sueca H&M, a Topshop conta com 400 lojas espalhadas pelo mundo e é especializada no chamado fast fashion ? roupas antenadas vendidas em grande escala. Há quatro anos, por exemplo, a modelo Kate Moss desenhou uma coleção de roupas para a marca causando frisson.
Agora, Green pretende replicar esse modelo de negócios por aqui. ?O Brasil é um mercado estratégico que não pode ser ignorado?, diz Alberto Serrentino, sócio da GS&MD ? Gouvêa de Souza. ?A Topshop é um fenômeno de vendas e tem tudo para ter sucesso por aqui?, diz. ?Ela entra para competir com mais força com a Zara?, afirma Márcio Camargo, proprietário da grife Le Lis Blanc, referindo-se à grife espanhola.
Pode ser, mas as redes brasileiras também devem se cuidar. ?Nos últimos cinco anos, a cadeia varejista brasileira ficou mais próxima dos movimentos da moda internacional?, diz Altamiro Carvalho, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Ou seja, a Topshop brigará com todos.