05/07/2006 - 7:00
Ronaldinho Gaúcho, tentando diminuir a pressão que lhe caía sobre os ombros dias antes da Copa, disse que trabalharia como garçom, servindo Adriano e Ronaldo a caminho do gol. Pelo menos na estréia diante da Croácia, de magro 1 a 0, ele não ofereceu nada de bandeja aos atacantes, até porque Ronaldo não seria capaz de aproveitá-la. Os garçons estavam no anel intermediário do Estádio Olímpico de Berlim dentro de salões com vidro translúcido, poltronas de couro e o luxo dos teatros. Serviam nos chamados camarotes VIP Hospitality. Os preços para abrigar gente do quilate de Elton John, Boris Becker e o príncipe Albert, de Mônaco, são salgados. Começam com os US$ 1160 cobradas pela partida entre México e Irã (3 a 1), na primeira fase, a US$ 3870 para o jogo de abertura em Munique, em que a Alemanha venceu a Costa Rica por 4 a 2. Um camarote para a final em Berlim, com capacidade para até 30 pessoas, chega a US$ 201 mil. Todos foram vendidos.
No que diz respeito ao luxo e conforto, as cifras são pantagruélicas. Há mais de 150 tipos de pratos, 320 mil garrafas de vinho, 50 mil garrafas de champanhe francês, 12 mil garçons treinados de modo a não atrapalhar a visibilidade durante as partidas e 8 mil recepcionistas. ?Apostamos no luxo para poder oferecer um serviço diferente, inédito na história das competições esportivas?, disse a DINHEIRO Peter Csanadi, diretor de comunicação da ISE Hospitality, a empresa suíça que cuida das áreas VIP nos 12 estádios do Mundial. Ela pagou à FIFA, em troca da concessão, US$ 175 milhões. Estima amealhar, com ingressos e serviços, algo ao redor de US$ 300 milhões. É valor espantoso, levando-se em consideração que o montante de patrocínio reunido pela FIFA para a Copa foi de US$ 700 milhões. O diretor da ISE, Charles Taylor, resumiu o que a empresa montou para a Alemanha. ?Em 30 anos de atividades esportivas no mundo todo, nunca fizemos nada próximo do que há aqui?, resumiu. Cabe lembrar, contudo, que o requinte ? e a extraordinária localização desses setores nos estádios – atraiu imensas críticas dos sem-ingresso, em uma das mais barulhentas polêmicas da Copa 2006. Apenas 31% dos ingressos foram destinados ao público (no Mundial da França, em 1998, eram 44%). O restante ficou nas mãos de patrocinadores. Desse lote exclusivo, 12% do total ? o equivalente a 340 mil lugares – foram destinadas aos VIPs.